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BOA LEITURA

SUA RESPIRAÇÃO É O SEU ESTADO DE HUMOR, RESPIRE .....PENSO LOGO EXISTO, VOCE EXISTE, AME-SE..... Identidade na psicanalise

Força interior

Bullying e resiliência

SITES PARA PESQUISA

Site Freud 1 Site Freud 2 Site Freud 3 Site Melaine Klein 1 Site Mleine Klein 2 Site Carl G. Jung 1 Site Carl G. Jung 2 Site Lacan 1 Site Lacan 2

  1. BREVE DESCRIÇÃO DO SISTEMA NERVOSO
  2. PSICANÁLISE E PSICOSSOMÁTICA
  3. BIBLIOGRAFIA
    • ABRAHAM, Karl. Teoria Psicanalítica da Libido. Rio de Janeiro: Imago, 1970.
    • NANCY C. ANDREASEN, Adimirável Cérebro Novo ( Vencendo a Doença Mental) - Editora Arimed.
    • LAPLANCHE e PONTALIS, Vocabulário da PSICANÁLISE – Editora , Matins Fontes
    • RAUL MARINHO Jr., A Religião do Cérebro- Editora , Gente. Guyton & Hall: Tratado de Fisiologia Médica. 10ª Ed. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2005.
    • ALEXANDER, Franz. Medicina Psicossomática: princípios e aplicações. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 1989.
    • A. TALAFERRO, Curso Básico de Psicanalise – Editora, Martins Fontes
    • DAVID E. ZIERMAN, Manual de Técnica Psicanalítica – Editora, Arimed
    • FENICHEL, Otto. Teoria Psicanalítica das Neuroses. Livraria Atheneu Ed., Rio de Janeiro, s/d.
    • FREUD, Sigmund. Obras Completas. 3. ed. Madrid: Biblioteca Nueva, 1973.
    • FOUCAULT, Michel. Doença Mental e Psicologia. Rio de Janeiro: Ed. Tempo Brasileiro
    • IVAN PETROVICH PAVLOV , Os Pensadores XXXIX- Editora – Abril cultural
    • MELLO Fo., Júlio de & col. Psicossomática Hoje. Ed. Artes Médicas, Porto Alegre, 1992.
    • OMS - Organização Mundial da Saúde. CID-10 - Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Ed. Artes Médicas, 1993.
    • CALDEIRA, Geraldo, MARTINS, José Diogo. Psicossomática: teoria e prática. Rio de Janeiro: Medisi, 2001.
    • PERESTRELLO, Danilo. A Medicina da Pessoa. 4.ed. Livraria Atheneu Ed., Rio de Janeiro,1989.
    • TEIXEIRA, João de Fernandes. Mente, Cérebro e Cognição. 2. ed. Petrópolis: Ed. Vozes, 2003.
    • TURATO, Egberto Ribeiro. Tratado da Metodologia da Pesquisa Clínico-Qualitativa: construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas de saúde e humanas. Petrópolis: Ed. Vozes, 2003.
    • STERNBERG, Robert J. Psicologia Cognitica . Tradução da 5 edição norte-americana Editora CENGAGE Learning.
  1. IMAGENS DO CÉREBRO E SUAS FUNÇÕES
  2. Escala de Avaliação Global do Funcionamento (AGF)
  3. GLOSSÁRIO
  4. Crescimento Psicológico e Impedimentos ao mesmo pelas abordagens de Freud e Jung
  5. Breves definições.
  1. PARA LER E REFLETIR
  • PARA LER E REFLETIR
  • PARA LER E REFLETIR
  • ONDE ESTÁ SUA IDENTIDADE,

    Ate quando, adiaremos a definição de comerçarmos a ser, até quando agiremos como se nada estivesse acontecendo, e por falta de coragem de mudar, não façamos o que tem de ser feito. Aonde está a nossa identidade, que perdemos quando embarcamos no modo ser definido pela mídia, que tem como principal agente a televisão, que induz a forma de se vestir, de corte de cabelo, das gírias atuais que imperam no linguajar, na música que sugere comportamento, na dança que sugere um ritual de acasalamento, nos filmes que induz a violência, no sexo pelo sexo, e que na verdade deveria ser uma conseqüência do carinho, do afago, da compreensão, do companheirismo e tudo o mais que se refere ao amor, que tem como o fim a copulação. Ser um buscador da identidade perdida, é uma grande luta que devemos começar, porque cada dia que vivemos é um passo de retorno a casa a do Pai e devemos voltar ao seu encontro com o orgulho do dever comprido, para que nosso PAI no receba de braços, feliz com o retornos do filho que cumpriu a sua missão. Quem realmente é você, pense nisso.

    AME-SE
    Para eliminar a ansiedade o ser humano pode negar a situação que esta vivendo, esta é uma forma de proteção da personalidade pelo ego contra a ameaça vigente. Isso se processa pelos mecanismos de defesa. A racionalização é um mecanismo de defesa que procura explicar um ato socialmente inaceitável por discursos aparentemente lógicos e eticamente aceito. Disfarçando assim os verdadeiros motivos que levaram a execução de tal ato. A formação reativa é um mecanismo de defesa na qual o individuo reage de forma contrária àquela que gostaria de realizar com características de excessos, rigidez e extravagância. Para relaxar, reflita sobre quem você realmente é, o que realmente te incomoda, tenha a coragem de mudar, seja você mesmo(a). Ame a si mesmo, assim você amará o proximo.



    AMOR E SAÚDE
    Os sentimentos de solidariedade, generosidade, fraternidade, esperança, fé e perseverança sào fundamentais
    para a saúde fisica e psiquica. Pela lei de Newton “toda ação provoca uma reação...” assim também
    nossos atos promovem efeito em nosso organismo e em nosso equilíbrio emocional, consequentemente todas as
    ações contrarias as lei divinas trazem consequencias no campo físico e emocional.
    A medicina comprova que a harmonia interior e a verdade geram substancias de poder imunológico. Até o século 20 ,
    a pineal era vista na medicina como uma glândula que perdia sua função quando a criança atingia a puberdade,
    mas pesquisas recentes revelaram que, ao lado do encéfalo, a pineal é a sede neurológica da mente,
    ela faz parte do sistema límbico, que é o sistema organizador das emoções
    e também o responsável pela regulação de dois processos: o da sexualidade na primeira infância e do
    equilíbrio do sono e da vigília, através do controle da variação da melatonina, que também tem a
    função de integrar o processo de defesa imunológica do organismo.

    
                                                                       COMO VAI VOCE 

    Um termo muito comum usado pelos jovens “ficar”, nos remete a meros machos e fêmeas. Reduzindo o mais nobre dos sentimentos, inserido por Deus, que deve ser cultivado e experimentado por nós, até então seres humanos. Essa beleza e ternura de ser, está sendo atrofiada pelo imediatismo, pela ansiedade de múltiplas experiências, pelo excesso de informações, pelo consumismo exagerado imposto por essa nova era. Antes o mundo dormia, hoje ansioso em produzir, o capitalismo nos transforma em robôs, extremamente ansiosos, sem vontade própria, pois as nossas necessidades são guiadas pelas informações transmitidas pela mídia,somos impelidos ao consumismo na busca desenfreada pelas múltiplas experiências vivenciadas de formas efêmeras nas suas diversas facetas, seja ela no idealismo, no ter, no conhecimento, e na nossa principal fonte de viver os sentimentos, o ser EU, de forma particular e única. Se assim fosse o mundo seria muito mais colorido, seriamos mais criativos, pois pensaríamos, teríamos vontade própria. Será que somos o que somos porque queremos, ou porque somos impulsionados pela mídia de forma quase que hipnótica? Se vivemos, devemos fazer valer a nossa existência, pelo aprimoramento da alma relacionado ao amadurecimento dos sentimentos, dá ótica mais profunda do ser. Afinal de contas, qual o objetivo dessa oportunidade de existirmos quanto seres humanos, ofertada pelo Criador A magia de conhecer o outro, nos leva a descoberta do mundo dos sentimentos que com o passar dos tempos nos faz perceber o quão avassalador e admirável é, essa maravilhosa porção que nos foi concedida por Deus, o Amor, com as suas nuanças, amor de irmão, amor de pai, amor de mãe, amor de amigo, e o principal o Amor de Deus por todos nós. A fusão entre os mundos do ter e ser está desequilibrada, nessa balança o ter vence o ser e predomina uma deteriorização no verdadeiro sentido de existir, com reflexos claramente visto na ótica do sentido de amor, humanização. Criou-se um vaziono interior do ser humano, o imediatismo e o efêmero tomaram conta do alimento indispensável para a saúde da alma que a torna brilhante, reluzente e nos deixa não com o prazer passageiro,mas eterno, o amor, a solidariedade, a compaixão que nos transporta para um mundo de vibrações suaves, com sensações indescritíveis de bem estar e atemporal. Vivemos e agimos de forma inconsciente conforme padrões de comportamento globalmente massificados pela mídia, não prestamos a atenção ao que verdadeiramente somos. O nosso ego está sendo estruturado conforme padrões capitalistas, consumista produzindo um vazio que precisa constantemente ser preenchido e nunca se dará por satisfeito. Por quê? Será essa a verdadeira necessidade da alma? Qual a sua essência? Esses encontros descartáveis não nos permite o auto-conhecimento, ele torna-se uma fuga constante, nunca um encontro. De que temos medo? De encontrar nossa verdadeira essência? Afinal de contas quem nos criou, de qual fonte nascemos? Nossos pais tema capacidade de dar-nos a forma, mas nunca o atma (a alma), sendo assim quem nos criou que nos deu a alma foi Deus, esse Pai maravilhoso, a fonte de todo amor, toda a ternura, todo o bem querer. O amor é o princípio básico para a boa saúde.


    VIOLÊNCIA NA INFÂNCIA E ADOLESCENCIA
    O PENSAMENTO
    CLAUSTROFOBIA
    BULLING 1ªPARTE
    BULLING 2ªPARTE
    BULLING 3ªPARTE
    ANSIEDADE
    O SER HUMANO E SUAS ESCOLHAS
    MASCARAS
    PODEMOS SER DIFERENTE
    AMOR E SAUDE
    O QUE ESTAMOS FAZENDO DA NOSSA VIDA
    SUA ESTRADA
    FILHOS POR DR IÇAMI TIBA
    SUA REFORMA
    PSICANALISE E A FAMILIA
    SUA VIDA
    SAIA DO SEU CASULO
    O TEMPO
    CORAGEM
    VOCE É CAPAZ
    CURIOSIDADE
    OS DEZ MANDAMENTOS PARA CRIAR OS FILHOS
    O DESPERTAR DE UM BEBÊ
    VERDADE
    O QUE REPRESENTA O AMOR
    ERROS E ACERTOS
    DICAS PARA A FELICIDADE
    EQUOTERAPIA
    HIPERATIVIDADE
    DICAS PARA LIDAR COM A HIPERATIVIDADE
    HIPERATIVIDADE QUESTIONARIO
               
                                          REGRAS FUNDAMENTAIS DA PSICANÁLISE:
    
    	Sinceridade completa de um lado, discrição absoluta do outro. O paciente deve dizer não 
    apenas o que é intencional e de boa vontade, coisa que lhe  proporcionará um alívio imediato 
    semelhante a uma confissão, mas também tudo o que sua auto-observação lhe fornece, tudo o que 
    lhe vem à cabeça, mesmo que lhe seja desagradável dizê-lo, mesmo que lhe pareça sem importância.
    	Em todas as tentativas de melhorar e educar o paciente, o analista deve respeitar a 
    individualidade deste.
    	Na transferência o paciente não apenas relata, mas também representa, dramatiza.
    	Na transferência durante os relatos do paciente, é tarefa do analista tirar o paciente da 
    ilusão que o ameaça e mostrar-lhe que o que toma por uma vida é na realidade um reflexo do 
    passado.
    	Fortalecer o ego enfraquecido tendo como ponto de partida a ampliação do auto-
    conhecimento, para vencer as pulsões do id, agora sob um ponto de vista mais maduro, superando
    as resistências e libertando os conflitos residentes do inconsciente reprimido.
    	Coletar material de uma variedade de fontes:
    	      1.Do que foi transmitido pelas informações.
    	      2.Pelas livres associações.
    	      3.Do que nos mostra pela transferência.
    	      4.Daquilo que chegamos pela interpretação dos sonhos. 
    	Obs.:Há uma tendência muito grande devido a impressão causada pelos sonhos, de se achar
    que todos eles são premonitórios, porem, na sua grande maioria o sonho é uma descarga do 
    inconsciente reprimido de fatos ou realizações que se faziam desejados viver e não foram vividos, por 
    pressões sociogênicas, teogênicas ou psicogênicas, que atuaram devido a formação do superego e 
    foram liberadas em, forma dramatizada e teatralizada.. Existe o sonho premonitório, mas é preciso ter
    cautela para determiná-lo. 
    	      5.E do que se revela por lapsos (atos falhos).
    	Nunca deixar de fazer uma rigorosa distinção entre o nosso conhecimento e o conhecimento
    do paciente. Refletir cuidadosamente de quando lhe comunicaremos o conhecimento de uma de nossas 
    construções, esperando pelo momento apropriado.
    	Trabalhar o ego enfraquecido do paciente, para que participe do trabalho puramente 
    intelectual de interpretação, que visa provisoriamente preencher as lacunas em seu patrimônio mental
    e a transferir-nos a autoridade de seu superego; incentivando a aceitar a luta contra cada exigência 
    individual feita pelo Id e a vencer as resistências que surgem em conexão com isso. Ao mesmo tempo 
    restaurar a ordem no ego detectando o material e os impulsos que forçaram caminho a partir do
    inconsciente e expô-lo à crítica, fazendo-o remontar à sua origem. Transformaremos com isso o que 
    foi inconsciente reprimido em material pré-consciente e assim,  devolvemo-lo à posse do seu ego, 
    sublimando os instintos.
    
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    CEREBRO E FUNÇÕES

    Breve descrição do sistema nervoso- Parte - I

           
    	Os neurônios são formados basicamente por três 
    partes: os dendritos, o corpo celular(soma) e o axônio
    (ou fibra nervosa). As mensagens geradas pelo núcleo e
    outras partes contidas no corpo celular são conduzidas
    pelo axônio.
            O soma possui porções metabólicas e reprodutivas
    da célula, é reponsável pela vida do neurônio e liga
    os dentritos ao axônio. os inúmeros dentritos são
    estruturas ramificadas que recebem informações de outros
    neurônios, e a soma integra essas informações. 
           O aprendizado esta associado com a formação de 
    novas conexões NEURAIS.Isso ocorre em combinação com
    o aumento da sua complexidade ou ramificação na estrutura
    dos dentritios no cérebro.
    	Os axônios apresentam em dois tipos com ou sem
    o revestimento externo lipídico, na forma de uma bainha
    de mielina. Mielina é uma substância branca gordurosa
    que envolve alguns dos axônios no sistema nervoso e é
    responsável por parte do aspecto branco do cérebro.
    Alguns axônios são mielenizados(quando revestidos pela
    mielina). Esse revestimento, que isola e protege os
    axôniosmais longos de interferência elétrica de outros
    neurônios na área, também acelera a condução de 
    informação. Na verdade, a transmissão de informação
    pelos axônios mielinizados pode alcançar até 100 
    metros por segundo. Além disso, a mielina não é 
    distribuida de maneira uniforma ao longo do axônio.
    É distribuida em segmentos interrompidos pelos
    NÓDULOS DE RANVIER, que são pequenos intervalos no
    revestimento de mielina ao longo do axônio que
    atuam no aumento da velocidade da conduç~çao do 
    sinal eletroquimíco. 
    	O segundo tipo de axônio não possui a cobertura
    de mielina. Normalmente, esse axônios desmielinizados
    são menores e mais curtos(assim como mais lentos) do
    que os axônios mielinizados. Como resultado dessa
    condição, estes não p´recisam de aumento na 
    velocidade de condução do sinal eletroquímico que a
    mielina proporciona aos axônios mais longos.
    	A esclerose multipla, uma doença autoimune,
    está associada com a degeneração do revestimento
    de mielina em axônios de certos nervos. Isso 
    resulta na deterioração da coordenação e do
    equilíbrio.
    
    
    IMPULSO NERVOSO
    
    	O neurônio é polarizado, ou seja, há uma 
    membrana carregada positivamente do lado de fora e uma
    membrana carregada negativamente do lado de dentro. A 
    polarização é causada pela diferença de concentração de 
    íons de sódio (Na+) e potássio (K+) dentro e fora da célula.
     Esta diferença estável é mantida às custas das reservas de 
    ATP (moléculas usadas pelas células para armazenar 
    energia), pois o sódio é forçado a sair da célula enquanto o
     potássio é forçado a entrar. 
    	Quando o neurônio é estimulado, esta 
    estabilidade termina e acontece um efeito  chamado de 
    despolarização, no qual o sódio (Na+) que estava em 
    maior quantidade do lado  de fora da célula passa para o
    lado de dentro, fazendo com que o potássio (K+) saia, 
    invertendo assim a polarização da área afetada. Este 
    efeito, que aos poucos vai despolarizando a membrana, se
    propaga ao longo da célula na forma de um impulso nervoso. 
    	O impulso nervoso se propaga em apenas uma 
    direção. Ele caminha dos dendritos para o corpo celular e 
    deste para o axônio. Ao chegar à extremidade do axônio, o 
    impulso é transmitido para o próximo neurônio por um 
    processo chamado sinapse.
     
    
    SINAPSE
    	A sinapse é a comunicação entre o axônio de um
    neurônio e o dendrito de outro (ou a membrana de uma 
    célula). O axônio, o dendrito ou membrana estão separados 
    por uma minúscula fenda de aproximadamente 20 nanômetros. 
    	As sinapses são importantes na cognição. A 
    diminuição da função cognitiva, como o mal de Alzheimer
    é associada com o redução da eficiência das sinapses na
    transmissão de impulsos nervosos.
           A mensagem de um axônio para um dendrito ou
    uma membrana celular é transmitida por substâncias 
    chamadas neurotransmissores. Estes são liberados pelos 
    axônios e recebidos pelos dendritos ou pelas membranas. A
    membrana pela qual são liberados os transmissores se chama
    membrana pré-sináptica e a membrana que recebe os 
    neurotransmissores se chama membrana pós-sináptica. 
    Os neurotransmissores mais conhecidos são a acetilcolina e 
    a noradrenalina, mas existem outros como endorfina e a 
    dopamina.
    neuronio
    TIPOS DE NEURÔNIO
    neuronio
    A conversa diária entre os neurônios, que possibilita funções
    complexas como a linguagem ou a memória, é conduzida por
    meio de mensagens enviadas por mensageiros químicos; os
     sistemas de neurotransmissores do cérebro.
    	A comunicação entre as células nervosas começa
    com uma atividade elétrica. O  interior de um nervo tem uma
     determinada voltagem quando está em repouso (-70 milivolts).
    Se várias influências excitatórias ornam-se predominantes, 
    fazendo com que  a voltagem no interior da célula aumenta em
    –35 milivolts, a célula dispara e envia uma mensagem 
    excitatória ao longo do axônio, que cega no terminal e causa 
    liberação de neurotransmissores. ESSE DISPARO É 
    CHAMADO DE POTENCIAL DE AÇÃO.
    	Apesar desse processo começar eletricamente, a 
    comunicação na sinapse é química. Alguns dos neurotrans-
    missores mais comuns são relevantes para o entendimento das
     doenças mentais, são eles:
    Acetilcolina
    Monoaminas
    Dopamina
    Serotonina
    Noadrenalia
    Aminoácidos
    
    Ácidos gama-amino-butírico (GABA)
    Glutamato
    
                Os neurotransmissores (4) são produzidos na célula 
    transmissora (A) e são acumulados  em vesículas, as vesículas
    sinápticas (1). Isto também pode ocorrer por ação direta de
    uma substância química, como um hormônio, sobre 
    receptores celulares pré sinápticos (3).
    
    Liberação
    
    Quando um potencial de ação ocorre, as vesículas se fundem 
    com a membrana plasmática, liberando os neurotrans-
    missores na Fenda sináptica (B).
    
    AÇÃO NA CÉLULA RECEPTORA
    
    Estes neurotransmissores agem sobre a célula receptora (C),
    através de proteínas que se situam na membrana plasmática
    desta, os receptores celulares pós-sinápticos (6). Os receptores
    ativados geram modificações no interior da célula receptora,
    através dos segundos mensageiros (2). Estas modificações é
    que originarão a resposta final desta célula.
    
    RECAPTAÇÃO
    
             Proteínas especiais da célula transmissora retiram o 
    neurotransmissor da fenda sináptica, através de bombas de 
    recaptação (5). Outras proteínas especiais, chamadas enzimas, 
    inativam quimicamente os neurotransmissores, interrompendo
     a sua ação. Elas são responsáveis pela manutenção da 
    concentração ótima dos neurotransmissores. 
                Serotonina é uma substância sedativa e calmante. É 
    também conhecida como a substância “mágica” que melhora
    o humor de um modo geral, principalmente em pessoas com 
    depressão. 
    	Já, a dopamina e a noradrenalina proporcionam 
    energia e disposição. 
    
    ALIMENTOS QUE CONTEM SEROTONINA COM 
    FONTES DE:
    
    	Fontes de Triptofano: leite e iogurte desnatados, 
    queijos brancos e magros, carnes magras, peixes, nozes, 
    banana, arroz, batata, feijão, lentilha, castanhas, abacate, 
    soja e derivados. 
                Fontes de Carboidratos: pães e cereais integrais, 
    biscoitos integrais, massas integrais, arroz integral e
    selvagem, legumes, frutas e mel. 
    
    CÉREBRO, MEDULA E SISTEMA NERVOSO CENTRAL
    E PERIFÉRICO.
    
    
    	O SNC (Sistema Nervoso Central) é composto pelo
    cérebro, medula espinhal e alguns nervos da visão. O cérebro
    é formado por neurônios e a medula é composta pelos 
    prolongamentos destes neurônios, chamados de axônios, os 
    quais formam a parte branca e, por neurônios, astrocitos, 
    microglia e outros, compondo a parte cinza. Os oligodendro-
    citos estão presentes em ambas as partes e são responsáveis
    pela produção da mielina, substância esta que envolve o 
    axônio, formando uma camada (capa) necessária à condução
    dos comandos e sensações que passam pelo mesmo. Os 
    astrocitos
     e as células microgliais compõem parte do sistema de defesa 
    da medula. Para que todos  estes componentes se mantenham
     vivos e atuantes, são necessários inúmeros vasos sanguíneos,
     a fim de levar às células os nutrientes e oxigênio. Existe 
    também, o (SNP) Sistema Nervoso Periférico, composto por
     inúmeras ramificações de nervos que se espalham  por todo
     corpo humano. Tais nervos são compostos por uma "capa" 
    protetora e axônios oriundos dos neurônios da medula 
    espinhal.
    DETALHE DA SUBSTÂNCIA CINZENTA DA MEDULA
    
    Este esquema retrata uma porção microscópica da parte 
    cinza, mostrando células e vasos sanguíneos.
    
    DETALHE DA SUBSTÂNCIA BRANCA DA MEDULA
    
    
    Esquema retratando uma porção microscópica da parte
    branca, mostrando vários axônios mielinizados e um 
    oligodendrocito, responsável pela produção da mielina 
    destes prolongamentos.
    
    CRÂNIO E COLUNA VERTEBRAL
    
    	Tanto o cérebro como a medula, possuem 
    um conjunto de elementos para protegê-los de choques 
    externos. Os ossos da cabeça formam o crânio, 
    constituindo assim, a proteção do cérebro. 
    	As vértebras são pequenos ossos com um
     orifício central, que alinhados uns sobre os outros 
    compõem a coluna vertebral. Como cada uma das 
    vértebras possui um orifício central, estas, alinhadas
     formam um túnel por onde passa a medula, 
    constituindo assim, a proteção da medula. Além de todos
     estes ossos, tanto o cérebro como a medula, possuem 
    três camadas de meninges - a duramater, aracnóide e 
    piamater - que também auxiliam na proteção.
    
    
    A coluna vertebral é classificada em cervical, composta
     por 7(sete) vértebras,correspondendo a parte do 
    pescoço; em toráxica, composta por 12(doze) vértebras
     e que corresponde a região do tórax; em lombar, 
    formada por 5(cinco) vértebras, correspondendo à parte
     abdominal e por último em sacral,onde as vértebras são
     unidas, formando um osso único, com 5(cinco) níveis de
     classificação. Devido a esta nomenclatura e para 
    simplificar a comunicação entre as pessoas, as vértebras
     são, na maioria das vezes, chamadas de C1 à C7
    (pescoço), de T1 à T12(tórax), de L1 à L5(lombar) e de 
    S1 à S5(sacral). Entre cada uma das vértebras, existem
    os discos cartilaginosos, proporcionando a maleabilidade
     da coluna vertebral.
    
    
    
            Assim como a coluna vertebral, a medula também é 
    classificada em cervical, correspondendo a parte do 
    pescoço, com 8(oito) níveis de saídas de raízes nervosas,
     em toráxica, correspondendo a região das costelas, com
     12(doze) níveis de saídas de raízes nervosas, em lombar,
     com 5(cinco) níveis de saídas de raízes nervosas e por 
    último em sacral, também com 5(cinco) níveis de saídas 
    de raízes. A região lombar e sacral da medula localizam-se
     em uma região com o nome de Cone Medular, que 
    corresponde ao final da medula, localizado aproxima-
    damente nos níveis T12, L1 ou L2 da coluna vertebral, em
     uma pessoa adulta. Portanto, os níveis lombares e sacrais
     ocupam uma pequena região na medula. A partir deste 
    ponto, haverá a cauda eqüina, formada por um conjunto 
    de nervos, fazendo parte do sistema nervoso periférico e 
    correspondendo a parte da coluna vertebral lombar e 
    sacral. As raízes nervosas têm origem na medula e 
    correspondem ao início do sistema nervoso periférico.
            Através delas, os comandos para movimentos 
    saem da medula e se dirigem através dos nervos às 
    diversas partes do corpo, e também, através dos 
    nervos e raízes, as sensações de diversas áreas 
    chegarão até a medula.
    
    
    

    Breve descrição do sistema nervoso- Parte - II

    FUNÇÕES DO SISTEMA NERVOSO O cérebro é a parte mais importante do corpo, onde todos os comandos (movimentos dos membros, controles esfincterianos, batimentos cardíacos, respiração, etc.) são processados e todas as sensações e sentidos (dor, calor, frio, olfato, audição, visão, paladar, etc.) são recebidos e assimilados. A medula e os nervos periféricos fazem a comunicação entre o cérebro e as diversas partes do corpo, levando os comandos motores aos músculos, esfincteres, etc. e trazendo da pele, órgãos, músculos e demais partes, todas as sensações até o cérebro, formando uma enorme e complexa via de comunicação. Todas estas vias de transporte são distintas, ou seja, existem caminhos específicos que levam os movimentos aos braços, que são diferentes das vias que levam os movimentos às pernas, que por sua vez são diferentes das vias que levam a sensação de dor ou temperatura até o cérebro. A cada altura da medula espinhal os axônios descendentes, responsáveis pela parte motora, encontram os neurônios "pares" (encontram exatamente o neurônio que deveriam encontrar) e os conectam através dos dendritos. Estes neurônios, ao receber estes comandos, repassam aos seus axônios os comandos originados no cérebro. A partir deste ponto, estes axônios sairão da medula através das raízes nervosas, as quais darão origem aos nervos periféricos que serão responsáveis pela condução dos comandos até os músculos. Nas vias responsáveis pela sensibilidade, o caminho é inverso. Todas as sensações partem do local onde foram geradas, percorrem todo o sistema nervoso periférico até chegar a medula. Neste ponto, as sensações são passadasaos neurônios da medula e conduzidas até o cérebro. O SNA consiste em uma cadeia de gânglios interligados através de nervos, localizada longitudinalmente a coluna vertebral. Através das raízes nervosas, estes gânglios se comunicam com a medula. O SNA é dividido em simpático e parassimpático e tem por função, a regulagem do controle do calibre dos vasos sanguíneos, da intensidade dos batimentos cardíacos e respiração, dos movimentos peristálticos, da temperatura de todo corpo, da bexiga e órgãos diversos. ESQUEMA DO SNA, COM ALGUNS ÓRGÃOS E FUNÇÕES CONTROLADOS PELO MESMO. SISTEMA LÍMBICO ANATOMIA FUNCIONAL Formado por: hipotálamo, hipocampo, amígdalas, tálamo (núcleos anteriores), giro cingulado, giro subcaloso e área órbito-frontal. Os três últimos são considerados o córtex límbico ou paleocórtex; O feixe prosencefálico medial é um importante meio de comunicação do sistema límbico com o tronco encefálico; Hipotálamo - Eferências: I) para a formação reticular e daí para o sistema autônomo; II) para o tálamo e córtex límbico III) para a hipófise. - Controle vegetativo e endócrino I) Regulação cardiovascular: responsável pela modificação da pressão arterial e da freqüência cardíaca. Esses estímulos são conduzidos para a formação reticular da ponte e bulbo; II) Regulação da temperatura: o sangue que passa no hipotálamo determina a temperatura corporal e faz com que o hipotálamo tente regular a temperatura; III) Regulação da hídrica: controla de duas formas, estimulando a sede no indivíduo ou retendo a água na urina. Quando os eletrólitos do hipotálamo se tornam mais concentrados essa área é estimulada; IV) Contração do útero e ejeção do leite: relaciona-se com a produção de ocitocina. V) Regulação gastrointestinal: o hipotálamo possui uma área que é o centro da fome e está relacionada com a ingestão de alimentos e saciedade da fome; VI) Controle sobre a hipófise: o hipotálamo secreta hormônio que atuam como liberadores dos hormônios da hipófise anterior. - Funções comportamentais I) Hipotálamo lateral: relaciona-se com a sede, fome e agressividade; II) Hipotálamo ventromedial: relacionado com a saciedade da fome e da sede e tranqüilidade; III) Região periventricular do hipotálamo: relaciona-se com a postura de medo ou de reação de punição; IV) Hipotálamo anterior e posterior: relacionado com a atividade sexual. - Centro de recompensa: núcleos laterais e ventromediais do hipotálamo, juntamente com a amígdala septo, alguns gânglios da base e algumas áreas do tálamo. - Centro de punição: substância cinzenta periquedutal e periventricular e amígdalas. O estímulo dessas áreas desencadeia no animal um comportamento de raiva. - Punição e Recompensa X Comportamento: o efeito dos tranqüilizantes nesses centros de punição e recompensa faz com que o indivíduo reduza sua reatividade afetiva. - Punição e Recompensa X Memória: para que um estímulo fique certamente armazenado na memória é preciso que ele desencadeie uma reação de punição ou de recompensa. É como se fosse uma resposta reforçada para desencadear a memória. Hipocampo - Qualquer estímulo sensorial causa a estimulação de pelo menos alguma área do hipocampo; - Desse modo, o hipocampo é uma porta de entrada para o sistema límbico, pois dele saem fibras (pelo fórnix) para o hipotálamo, tálamo e outras estruturas do sistema límbico; - Cada parte do hipocampo se relaciona com partes diferentes do sistema límbico para produzir respostas comportamentais diferentes; - Pequenos estímulos podem hiperexcitar o hipocampo devido a sua formação cortical diferenciada - Aprendizagem e o hipocampo: a lesão do hipocampo traz a amnésia anterógrada, a qual faz com que o indivíduo não consiga memorizar informações baseadas em simbolismos verbais, ou seja, não se é possível gravar os nomes das pessoas que conhece, porém a memória passada permanece armazenada. O hipocampo é importante no processo de transição da memória a curto prazo para memória a longo prazo: faz com que a mente repita várias vezes aquela informação a fim de que seja consolidada a memória para aquela informação. Amígdala Mantém amplas conexões com o hipotálamo e o restante do sistema límbico. É considerada a janela do sistema límbico, onde e vê o indivíduo no mundo. Seu estímulo pode causar alguns efeitos parecidos aos vegetativos do hipotálamo. Pode, ao ser estimulada, causar algumas experiência comportamentais como: prazer, raiva, sexualidade, medo. Síndrome de Klüver-Bucy: secção bilateral das amígdalas (porção anterior do lobo temporal, onde ficam localizadas) causa: I) perda do medo II) extrema curiosidade III) esquecimento rápido IV) coloca-se tudo na boca V) grande impulso sexual. Função global da amígdala: responsável pela percepção semiconsciente; parece padronizar as respostas comportamentais apropriadas para cada ocasião. Córtex límbico Atua como uma área de associação de controle do comportamento; A ablação da parte posterior do córtex orbital frontal traz insônia e inquietude; Os giros cingulados anteriores e giros subcalosos mantêm a conexão entre o sistema límbico e o córtex pré-frontal. A ablação dessa região pode trazer um alto grau de raiva. PLASTICIDADE CEREBRAL O conceito de plasticidade cerebral não tem nada a ver com plásticos e outros polímeros de químicos novos que são comuns no mundo contemporâneo. Em vez disso, esse conceito enfatiza que o cérebro é dinâmico: muda rapidamente de momento para momento, em resposta a desafios do mundo que nos rodeia. Muitas dessas mudanças são permanentemente codificadas ou armazenadas para uso posterior. O conceito de plasticidade cerebral baseia-se no reconhecimento de que o desenvolvimento cerebral é moldado em cada indivíduo por experiências físicas e psicológicas e, de fato, que a distinção entre físico e psicológico pode ser bastante arbitrária. A noção de plasticidade foi introduzida por um psicólogo canadense, Donald Hfebb, em 1949. Ele argumentava que a capacidade mudar nossos cérebros aprendendo novas informações ocorre por causa de mudanças que acontecem no nível das células nervosas. Sua visão era de que o cérebro se remodela, alterando as conexões no nível da sinapse. Se várias células nervosas recebem um estímulo que faz com que elas "disparem" (isto é, produzam o que os neurocientistas chamam de "potencial de ação"), começam a compartilhar cada vez mais conexões sinápticas. Isso pode ser antropomorfizado pensando-se nas célu¬las nervosas como um grupo de amigos que compartilharam experiências e gradualmen¬te se ligam em uma forma de sistema neuronal de amigos. Essa idéia é chamada de plasticidade de Hebb e é expressada pelo slogan "neurônios que disparam unidos permanecem unidos". Às vezes, os grupos de neurônios criados por meio dessas experiências compartilhadas são chamados de "assembléias neuronais". A plasticidade hebbiana era um conceito interessante, mas os neurocien- tistas somente conseguiram explicar os seus cornos e porquês nos últimos anos. Agora se sabe que as novas conexões são criadas por meio de um mecanismo chamado de potenciação de longa duração. O entendimento da potenciação de longa duração, obtido princi- palmente com o estudo das células nervosas do hipocampo, propicia a explicação de como os nossos cérebros mudam no nível celular e molecular quando a aprendizagem ocorre exatamente como os neurônios que disparam juntos se conectam. A potencialção de longa duração é o processo pelo qual o tamanho de uma resposta neuronal aumenta após a estimulação. O aumento em resposta ("potenciação") é relativa- mente duradouro ("longa duração"). Esse aumento em resposta neuronal é um mecanismo importante, pelo qual ocorrem mudanças de longa duração, como a aprendizagem. Nos últimos anos, ficou-se entendido sobre várias propriedades importantes da potenciação de longa duração. Por exemplo, que ela é relativa- mente específica, ou seja, quando a célula A fala com a célula B, de "dendrito para dendrito", a potenciação ocorre apenas nos dendritos específicos, e não nas duas células nervosas inteiras. A especificidade da potenciação de longa duração significa que a transferência de mensagens entre células pode ser bastante afinada e detalhada, em vez de ser um processo grosseiramente generalizado. Isso explica por que nossos cérebros conseguem se conectar, registrar e reter pequenas informações bastante específicas. Outro aspecto importante da potenciação de longa duração é que ela ocorre de maneira cooperativa, ou seja, se a célula A e a célula B recebem uma mensagem da célula C ao mesmo tempo, a potenciação de ambas é aumentada e também é unida ou associada. Atualmente, acredita-se que essa associatividade é a base fisiológica da plasticidade hebbiana. Por fim, também se compreende exatamente como isso ocorre no nível das moléculas e dos neurotransmissores. O glutamato (um aminoácido neurotransmissor) facilita o desenvolvimento da potenciação de longa duração, comunicando-se com dois receptores diferentes, que são chamados receptores AMPA e NMDA. Muitos estudos examinaram a potenciação de longa duração no hipocampo, uma de nossas principais regiões de memória e observaram que ela é aumentada pela ativação dos receptores NMDA pelo glutamato. Parecem mostrar os princípios da associati- vidade quando o glutamato ativa o receptor NMDA, explicando assim a plasticidade hebbiana no nível molecular. O conceito de plasticidade cerebral possui dois componentes importantes: períodos críticos e mudanças dependentes de atividades. A idéia de períodos críticos nos ensina que para determinados aspectos do desenvolvimento cerebral, o momento do estímulo ambiental é essencial e que importan- tes capacidades serão perdidas ou reduzidas se não ocorrer estimulação no momento certo. Isso não se aplica apenas à visão, mas também a outras funções, como a discriminação auditiva ou o sentido do tato, também pode ser aplicada a funções "superiores", como as habilidades lingüísticas. Para muitas pessoas, por exemplo, é difícil aprender a falar uma língua estrangeira fluentemente e com um "bom sotaque" se não forem expostas a ela na infância. Os norte americanos não conseguem dizer o "r" do francês e os japoneses não conseguem dizer o "r" do inglês; Ainda assim, eles provavelmente poderiam aprender a discriminar e a falar esses sons se tivessem sido expostos a eles na infância. A idéia da aprendizagem dependente da atividade nos ensina que a exposição a influências ambientais psicológicas ou biológicas causa mudanças no cérebro. No nível mais grosseiro, o alinhamento celular pode ser afetado. Em níveis mais finos, as espinhas podem se expandir nos dendritos, podem se formar sinapses ou as concentrações de mensageiros químicos podem aumentar ou diminuir. Às vezes, experiências individuais poderosas afetam nossos cérebros por toda a vida. É importante escolher as atividades adequadas para que nossos cérebros sejam bem-treinados. Esse princípio não se aplica apenas à infância, mas também à idade adulta e até ao processo de envelhecimento. Esses princípios também têm importantes implicações para a psiquiatria e para as doenças mentais. A plasticidade cerebral, por exemplo, explica como e por que tratamentos psiquiátricos que não são "biológicos" os vários tipos de psico- terapia - podem ser efetivos para aliviar os sintomas de doenças como a depressão ou a ansiedade. Esses tratamentos, sobre os quais tendemos a pensar em uma falsa polaridade entre o físico e o psicológico (ou cérebro e mente), ajudam as pessoas a reformularem suas respostas e abordagens emocionais e cognitivas. Essa reformulação somente pode ocorrer, todavia, como conseqüência de processos biológicos no cérebro uma forma de atividade dependente da aprendizagem. Esses princípios também explicam algumas das maneiras pelas quais os cérebros podem sofrer lesões e produzir uma variedade de doenças mentais. Por exemplo, a exposição do cérebro fetal a grandes quantidades álcool durante períodos críticos do desenvolvimento cerebral pode produzir um problema conhecido como síndrome fetal alcoólica. Crianças com essa síndrome apresentam crescimento limitado no momento do nascimento, configuração facial incomum e dificuldades de aprendizagem ou retardo mental moderado. Os estudos com imagem cerebral recentemente mostraram que muitas crianças com síndrome fetal alcoólica também têm anomalias cerebrais neuroevo- lutivas que são causadas pela exposição a grandes quantidades de álcool. A anormalidade mais grave é a incapacidade das células nervosas nos dois hemisférios de enviar seus axônios e conectar as duas metades do cérebro anormalidade conhecida como agenesia do corpo caloso. A síndrome fetal alcoólica é um exemplo extremo de lesão física grave que ocorre no cérebro durante um período crítico. Todavia, também é possível que lesões mais moderadas e mais psicológicas ocorram durante períodos específicos. Por exemplo, a exposição exagerada à televisão durante a primeira infância pode criar um estilo de aprendizagem passivo demais nas crianças e privá-las da oportunidade de aprender uma variedade de habilidades de aprendizagem importantes e mais ativas ler, usar seus corpos bem, aprender a se localizar na cidade ou no campo. A exposição exagerada a cenas de violência na TV ou em filmes as insensibiliza à dor e ao sofrimento e as ensina a ser indiferentes ou até ativamente violentas. A crença freudiana de que todas as doenças mentais se devem a experiências da primeira infância foi amplamente abandonada, mas a maioria dos psiquiatras acredita que as experiências da vidadurante a infância, e a idade adulta (definida de forma ampla para incluir muitos fatores, como nutrição, exposição a toxinas, exercícios, acidentes e relaci¬onamentos com amigos) afetam o desenvolvimento cerebral e podem proteger ou predispor as pessoas ao desenvolvimento das doenças mentais. Principais subdivisões do cérebro humano cerebro

    Atenção e Interpretação Seletiva, Efeito
    Carambola, conflito Nuclear e Foco ?

    	Atenção e Interpretação Seletiva : é a 
    necessária habilidade do psicanalista de perceber
     e não permitir o prolongamento de assuntos 
    periféricos  para não perder a construção do 
    discurso relatado pelo paciente com referencia ao
    conflito nuclear que é a causa geradora do 
    problema considerado como a raiz da angustia a
    ser resolvida com a finalidade de se descobrir a 
    estrutura que gerou a manifestação do conflito.
    	Efeito Carambola : é a melhoria e 
    mudanças dos conflitos secundários pela 
    resolução do conflito que é identificado como 
    conflito nuclear  do paciente.
    	Conflito Nuclear : é a causa 
    primária geradora do conflito que se registra 
    no paciente através do seu discurso durante as
     sessões o que nem sempre pode estar de 
    acordo com a queixa principal apresentada pelo
    paciente como o motivo que o levou ao 
    consultório.
    	Foco : é a queixa principal da 
    estrutura psicodinâmica estabelecida que gerou
     a manifestação do  conflito primário.
    

    Contra-Resistência

    A pessoa real do analista exerce uma significativa influência 
    no processo analítico. A resistência de um psicanalista também pode 
    estar manifesta fora da situação analítica propriamente dita, como 
    é o caso em ele se nega a tomar conhecimento de outros vértices 
    teóricos -técnicos da psicanálise ou toma conhecimento, porém os 
    desvitaliza, na maior parte das vezes recorrendo a um sistemático 
    reducionismo para os valores e conhecimentos com os quais está 
    bem familiarizado, porém que saturam a sua mente. Outra 
    importante forma de resistência que vem do analista é aquela que
    resulta de um possível excesso de narcisismo dele, de maneira que 
    resistirá a qualquer tomada de posição de seu paciente que não 
    estiver enquadrada nos seus valores próprio, idealizados por ele. 
    Lembremos que a verdade  é sempre relativa nunca absoluta ou 
    imutável. A interpretação do analista será eficaz se alem da 
    técnica houver empatia. Também se faz necessário a atenção 
    flutuante, exige do analista uma constante aplicação de energia 
    para sobrepujar resistência,  que se opõem à sua existência.
    O paciente pode gerar inconscientemente uma  resistência do 
    tipo desistência na pessoa do analista, para este não aceitar o 
    desafio de iniciar a análise, portanto se faz necessário 
    compreender que, tanto o paciente como o analista, devem 
    trabalhar num mesmo plano para que no setting não venha 
    ocorrer resistência e contra resistência, nem nenhum tipo de 
    conluio, cabendo ao analista fazer com  que o paciente perceba
    que ele é o grande responsável por sua melhora e que  a sua
    queixa não deve ser aceita como uma acomodação do seu 
    comportamento, ou seja,  transformar o egossintônico em 
    egodistônia, para isso é necessário que o mesmo tenha uma 
    atividade interpretativa, obtendo insight para sua mudança.  
    

    Psicanálise e a psicossomática

    	Disciplina criada por Freud que consiste em um método para investigação dos processos
     mentais, um método de tratamento das desordens psíquicas e teorias que tenta sistematizar os 
    dados introduzidos pelos métodos psicanalíticos mencionados acima. A psicanálise visa as raízes
     inconscientes das relações interpessoais.
    	O psicanalista não é exatamente um psicólogo, ou um antropólogo, ou um médico,
     um sociólogo, educador, filosofo ou religioso.
    	A Psicologia ocupa-se da mente, mas isso não atende aos objetivos específicos da
     Psicanálise que privilegia as relações da mente; assim a Sociologia estuda os elementos da 
    constituição social e suas relações, enquanto a Psicanálise visa as raízes inconscientes das 
    relações interpessoais, como foi dito acima.
    	Freud sempre deixou transparecer seu interesse sobre uma concepção mais 
    abrangente do homem, ambicionou, desde o Projeto , uma teoria que permitisse conhecer o
    significado da existência humana. Muito mais que um médico, Freud foi um especulador da
    natureza humana e seu estudo das neuroses, pode ser considerado o grande pretexto para 
    abrir as portas da alma ao conhecimento científico. Continuando, a Psicanálise não é 
    Antropologia porque não estuda o homem, ente concreto, mas a relação consigo mesmo; 
    tampouco assemelha-se à Pedagogia, porque é mais que misturar conhecimentos: é o ato 
    de se revelar e se auto-conhecer. Não se equipara à Metafísica no seu afã pelas respostas 
    finais da Filosofia: atém-se apenas as origens da necessidade de conhecer e aproxima-se 
    do religioso quando aspira  verdade. O religioso, Deus; o psicanalista, a limitada verdade
     de si mesmo. Não põe sequer a realidade entre parênteses como o faria o fenomenólogo; 
    contenta-se em descobrir os significados do acontecer mental. O PSICANALISTA é assim o
     estudioso e o profissional dos atos intermediários da vida humana enquanto coexistência, 
    significado e recriação.
    	A técnica psicanalítica de tratamento consiste basicamente em levar o paciente 
    a associar livremente, isto é, exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que lhe
     ocorrem sem preocupação de dar-lhes sentido ou coerência; interpretar tanto as 
    associações como os obstáculos que encontra ao associar ajudando assim o paciente a 
    eliminar as resistências que o impedem de tomar contato com os conflitos inconscientes; 
    e interpretar seus sentimentos e atitudes em relação ao analista, pois o paciente tende a 
    repetir na relação terapêutica as modalidades de relacionamento que teve com seus 
    progenitores durante a infância. A Psicanálise é o lugar de criação permanente e o 
    psicanalista é o espectador privilegiado desse momento. Conforme Freud expôs em sua 
    teoria estrutural: é o momento em que a carne se faz verbo, ou seja, em que o id se 
    transforma em ego, nada tão psicossomático quanto essa transformação e nada tão 
    decididamente psicanalítico quanto o conhecimento dessa transformação. Esse é o ponto 
    chave da interseção da Psicanálise e a Medicina Psicossomática.
    	Freud, quando discute a origem da própria mente, estabelece que a atividade 
    corporal origina o id que, em contato com o mundo exterior, deferência uma capa 
    superficial, o ego. Sugere que não só a atividade físico-biológica está representada na 
    mente, mas ela própria se transforma em mente. Entenda-se aqui não só a gênese dos 
    processos mentais, mas a própria existência da mente, a qual resulta da atividade 
    biológica e dos múltiplos dinamismos que intervém na adaptação do organismo ao meio,
     tanto para se perpetuar como espécie, como para se preservar como indivíduo. Assim
    a pergunta “o que é mental?” é respondida pelo biológico. Essa perspectiva unitária 
    (que não esgota o tema) é a raiz da psicossomática. Torna imperativo o estudo da 
    mente como atividade biológica se quisermos compreender o homem como um todo e 
    refuga as observações ingênuas de seqüências ou concomitâncias físicas e mentais 
    como indicadores de casualidade, tanto no psíquico para o somático, como do 
    somático para o psíquico.
    	A observação empírica da aparente influência dos processos mentais sobre
    as funções somáticas é que deu origem sobre as especulações sobre a gênese 
    psicológica dos transtornos somáticos. E, sem dúvida, quando estados emocionais 
    corriqueiros são acompanhados de modificações somáticas, é difícil resistir a 
    tendência de estabelecer nexos causais entre, por exemplo, a tristeza e o choro, a 
    raiva e a azia, o medo e a palidez, a alegria e a mímica do riso. São infinidades de 
    exemplos, frequentemente apontados como evidências axiomáticas das relações 
    causais mente-corpo que engordam o rol dos argumentos em favor da psicogênia. 
    Quando tantas evidências falam pela dualidade, a referência à unidade
    psicossomática soa como quimera metafísica.
     	Em resumo, chamamos psicanálise, o trabalho que ajuda o paciente a 
    tornar conscientes suas experiências reprimidas, expondo assim suas motivações 
    até então desconhecidas.
    	Da mesma forma que um navegador precisa de uma bússola, o 
    psicanalista necessita de traçar uma diretiva bússola no processo de formação 
    das molduras das estruturas da personalidade criadas pelo paciente para que 
    possa traçar um método psicanalítico de tratamento.
    	São as necessidades psicológicas que expressão a difícil busca pela 
    evolução pessoal.
    “Recuperar a pessoa e com ela estabelecer uma relação analítica, parece-me a 
    resposta que a Psicossomática pode dar a Psicanálise, de cujo seio nasceu e em
     cuja intimidade elaborou uma nova imagem do ser humano.“ Julio de Mello 
    Filho.
    

    Resistência

              Chama-se resistência tudo o que nos atos e palavras do analisando, durante o 
    tratamento psicanalítico, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente. Freud falou da
    resistência à psicanálise para designar uma atitude de oposição às suas descobertas 
    na medida que elas revelavam os desejos do inconsciente e infligiam o homem ao 
    vexame psicológico. “Toda a resistência é uma forma de transferência.”
           A Resistência tanto pode ser consciente como inconsciente, mas sempre provem do ego
     ela pode se expressar por meio de emoções, atitudes, idéias, impulsos, fantasias, 
    linguagens verbal e/ou não verbal, somotização ou ações. Dessa forma, na identificação
     da resistência, temos um excelente instrumento de análise, porque mostra como o ego
    se equipou para enfrentar as vicissitudes da vida.
           Onde existe um sintoma, existe também uma amnésia, uma lacuna da 
    memória, cujo preenchimento suprime as condições que conduzem à produção do 
    sintoma. As mesmas forças que hoje, como resistência, se opõem a que o esquecido 
    volte à consciência deveriam ser as que antes tinham agido, expulsando da consciência
    os acidentes patogênicos correspondentes. Observamos então que o paciente se refugia
    na moléstia, para com o auxílio dela, encontrar uma satisfação substitutiva, podemos 
    perceber que a resistência oposta pelos doentes à cura não seja simples, mas composta
    de vários elementos. Não somente o do ego doente se recusa a desfazer a repressão por
     meio do qual se esquivou de suas disposições originárias, como também pode o 
    instinto sexual não renunciar à satisfação substitutiva enquanto houver dúvida de que
    a realidade lhe ofereça algo melhor.
           Ego: mediador, encarregado dos interesses da pessoa, numa relação de dependência 
    tanto para as reivindicações do ID, como para os imperativos do superego e exigências
     da realidade. Do ponto de vista dinâmico, o ego representa eminentemente, no conflito
     neurótico, o polo defensivo da personalidade; põe em jogo uma série de mecanismos 
    de defesa, estes motivados pela percepção de um afeto desagradável (sinal de angústia).
     Instância da estrutura psíquica, que designa um conjunto de funções tanto consciente 
    como inconsciente.
             Egosintônico e egodistônico: respectivamente sejam ou não de harmonia, compatíveis,
    coerentes com as normas do self.
             Superego: instância que encarna as leis e proíbe a sua transgressão, a sua formação 
    ocorre desde as fases pré-edipianas, sendo que sua maior influência de formação se 
    deve ao período vivido no declínio do complexo de Édipo, por isso mesmo Freud o 
    nomeou como o herdeiro do complexo de Édipo. Freud vê na consciência moral, na 
    auto-observação, na formação de ideais, funções do superego. Fisiologicamente o 
    superego localiza-se no córtex pré-frontal que funciona como um monitor moral e 
    social, formulando conceitos abstratos.
             Self: imagem de si mesmo.
            ID. Fisiologicamente o sistema límbico é o ID, que sente e monitora as emoções e os
    impulsos básicos da sobrevivência. A palavra límbico significa, limite em latim. O 
    sistema límbico é claramente fundamental para regular as funções corporais  básicas,
    como sede, fome e o impulso sexual. Entretanto, ele também é importante para ajudar
     a responder ao nosso ambiente e para as associações entre as experiências emocionais
    e memória.
            Mecanismos de defesa; podemos definir como atitudes ou sentimentos vivenciados, 
    visando suprir a ausência, ou perda de algo. 
            Os principais mecanismos de defesa são: fantasia, agressão, projeção, compensação, 
    racionalização, repressão e sublimação. O Mecanismo de Defesa é nato no ser 
    humano. Nossa inteligência o desenvolveu, e eles estão instalados como defesa de 
    nossa própria saúde mental e física, para nos dar elementos adequados e lidarmos 
    com nossas dores, as físicas e as morais. 
           Alegoria do Inconsciente Reprimido: imagine que num auditório cujo silêncio
    absoluto da platéia durante uma palestra sendo ministrada, se acha um indivíduo 
    comportando-se de modo inconveniente, desviando a atenção do foco da oratória. 
    Diante dessa situação, o orador declara não poder continuar, e alguns homens se 
    levantam e põem o indivíduo porta a fora para um vestíbulo. Ele agora esta 
    reprimido e a palestra pode continuar. Para garantir que o indivíduo não repita o
     incomodo os mesmos homens ficam na porta consumando a resistência. 
    Traduzindo, os lugares, auditório e vestíbulo, para a psique, como consciente e 
    inconsciente, teremos uma imagem mais ou menos do processo da repressão. 
    Suponhamos que com a expulsão do perturbador e com a guarda à porta não 
    terminou o incidente. Apesar dele já não estar mais conosco a sua expulsão foi 
    inútil, pois lá de fora ele dá um espetáculo insuportável com murros e berros 
    na porta perturbando a conferência. O organizador do evento assume o papel 
    de medianeiro e pacificador conversando com o companheiro e trazendo-o de 
    volta, garantindo um comportamento conveniente. Eis uma representação 
    apropriada do terapeuta analista.
           Conforme a atividade interpretativa por parte do analista em relação ao 
    conflito discursado pelo paciente, a mesma pode estar até correta do ponto de
    vista analítico do inconsciente do analisado, porém, se a intervenção do 
    terapeuta for ao momento incorreto, de forma incorreta, sem clareza podem 
    gerar ambigüidade, e aumentar ou adicionar conflitos no paciente. Portanto 
    se faz necessário o estudo das variáveis de comunicação verbal e não verbal 
    para a identificação do(s) motivo(s) da resistência, lembremos de Bion 
    “o propósito inconsciente visa confundir o terapeuta e atacar os vínculos 
    perceptivos.” Perceba, estamos revelando o íntimo do paciente, e este pelo 
    seu próprio conflito está se escondendo na sua resistência, que por sua vez
     não permite uma estruturação a identidade equilibrada.
    
            Tipos de resistência derivados da fonte do ego:
    	• Resistência de repressão: consiste na repressão que o ego faz de 
    toda a percepção que cause sofrimento.
    	• Resistência de transferência: é a resistência contra a manifestação
     de uma transferência negativa ou sexual com o analista. Também existe a 
    resistência de transferência de vingança nos pacientes ressentidos e rancorosos,
     que pelo seu próprio estado distorcem os eventos da sua vida onde se 
    apresentam como privilegiados ou vítimas, que lhe persistem no pensamento de
    forma obsessiva e prazerosa, com fantasias de planos de ressarcimento e 
    vingança.
    	• Resistência de ganho secundário: são as resistências egossintônicas.
    	• Resistências providas do ID: são a ligada à compulsão a repetição.
    	• Resistências oriundas do superego: são as mais difíceis de serem 
    trabalhadas, segundo Freud, por causa dos sentimentos de culpa que exigem punição.
    	• Resistência contra a renúncia às ilusões.
    	• Resistência contra as mudanças verdadeiras.
    	• Resistência contra a vergonha, culpa e humilhação do colapso narcisista.
    	• Resistência contra a elaboração da dor da posição depressiva.
    	• Resistência contra os temores persecutórios próprio da posição 
    esquizoparanóide.
    	• Resistência contra os processos analíticos: o grau extremo é a RTN 
    (Reação Terapêutica Negativa) momento no qual existe uma sensação de 
    desconforto no par analítico, o paciente não sabe mais o que dizer e o analista
     sente-se impotente. Nesse momento é muito importante o analista rever se a 
    sua conduta analítica esta correta e adequada ou se o paciente chegou ao âmago
     do seu conflito e a resistência  se fortificou.
    	• Resistência que se manifesta no paciente contra as possíveis 
    inadequações ao seu analista.
           Como as manifestações de resistência podem se apresentar:
    	• Por inibições.
    	• Sintomas.
    	• Angustias.
    	• Estereotipias.
    	• Traços caracterológicos.
    	• Falsa identidade.
    	• Formas obstrutivas de comunicação e linguagem.
    	• Actins excessivos.
    
            Enquanto na resistência houver o sentimento de punição pela existência
    , ainda existe a esperança dentro do paciente, porem quando há o sentimento 
    de desistência, este cronifica a desesperança do paciente que nada mais 
    espera nem da vida nem da análise.
    

    Associação livre

             Essa regra técnica legada por Freud -
    componente maior da regra fundamental - 
    consistia no compromisso assumido pelo
    analisando de associar livremente as idéias
    que lhe surgissem espontaneamente na 
    mente e verbalizá-las ao analista indepen-
    dentemente de suas inibições para julgá-las
    importantes ou não. De certa forma, Freud
    aplicou essa regra nos primórdios da 
    psicanálise, desde 1894, quando usou 
    consigo mesmo o método da livre associação
    em sua auto-análise, especialmente na 
    decifração dos seus sonhos através das 
    descobertas propiciadas pelas cadeias 
    associativas.
             No entanto, ele somente instituiu 
    categoricamente esse método associativo em
    1896, quando sua paciente Emmy Von N., 
    cansada de ser pressionada para associar 
    "livremente", pediu a Freud que ele a 
    deixasse falar livremente. Por ocasião das 
    cinco conferências que pronunciou em 1909,
    nos Estados Unidos, para onde viajou 
    acompanhado por Ferenczi e Jung,  Freud 
    reconheceu publicamente os méritos da Escola
    de Zurique, e particularmente de Jung, por 
    terem desenvolvido o teste da associação 
    verbal, que em parte lhe serviu com inspiração
     para sua técnica da "associação livre de 
    idéias", aspecto que ele considerou da mesma
     importância que a atribuída aos sonhos e aos
    atos falhos. Embora seu qualificativo, essa 
    regra técnica, na verdade, nos tempos 
    pioneiros não era propriamente livre. O 
    próprio Freud usava com recurso a tática de
    exercer uma pressão manual na fronte do 
    paciente deitado no divã para instá-lo a falar. 
    Ferenczi também criticou, em parte, a 
    aplicação obrigatória dessa regra, tendo em
    conta que muitos analisandos, os obsessivos
    principalmente, podiam fazer uso abusivo e
    estéril  de seu "livre" discurso. Comentário:
    Na atualidade os analistas não mais 
    consideram o discurso associativo do 
    paciente uma condição sine qua non para 
    uma análise, e isso  por três razões: 
        1.É impossível que o paciente siga 
    rigorosamente à risca essa combinação, o
     que pode gerar um acréscimo de culpas por 
    não se sentir um bom cumpridor de 
    compromissos assumidos. 
         2.Muitas livres associações favoreciam uma
    longa narrativa discursiva, obsessiva ou 
    vazia, na forma ou no conteúdo.
        3.Na psicanálise contemporânea, os analistas
     não só valorizam o silêncio como uma forma
    de linguagem, como devem estar treinados 
    para reconhecer as múltiplas formas da 
    comunicação não-verbal. (ZIMERMAN, 2001).
    

    TRANSFERÊNCIA

    	A transferência surge espontaneamente em todas as 
    relações humanas e de igual modo nas que o paciente
    entretém com médico; é ela, em geral, o verdadeiro veículo
     das relações terapêuticas, agindo tanto mais fortemente 
    quanto menos se pensa em sua existência. A psicanálise 
    portanto, não a cria, apenas a desvenda à consciência e 
    dela se apossa a fim de encaminhá-la ao termo desejado.
    	Podemos definir também que transferência é 
    um processo pelo qual o indivíduo recapitula em suas 
    relações atuais, especialmente com seu terapeuta, as 
    relações que teve com seus genitores na infância. A 
    transferência se dá geralmente com pessoas que 
    representam alguma autoridade como no relacionamento
    professor-aluno, médico-paciente, patrão-empregado. 
    Freud, a princípio encontrou na transferência um 
    obstáculo para o tratamento, porém mais tarde utilizou-a
    como uma parte essencial do processo terapêutico.
    	Jung não considerava a transferência somente
     como meramente uma projeção de fantasias infantil-
    eróticas. Apesar de estas poderem estar presentes no 
    início da análise, elas podem ser dissolvidas usando o 
    método redutivo. Logo, o propósito da transferência se 
    torna de vital importância. Para Jung a transferência é 
    um caso particular de projeção usado para descrever um
    envolvimento emocional afetivo que pode ser tanto 
    positivo quanto negativo entre paciente e terapeuta. 
    É uma forma particular de projeção porque ocorre em 
    uma relação terapêutica no ambiente limitado de um 
    consultório. Tudo que é inconsciente ou que precisa 
    funcionar melhor no analisando é projetado na figura do
     analista. Isto inclui imagens arquetípicas da totalidade, 
    que resulta no analista tomar a estatura de uma 
    personalidade-mana. A tarefa do analisando é 
    compreender tais imagens no nível subjetivo, uma meta
    inicial de constelar o analista interno do próprio paciente. 
    	Jung acreditava que analisar a transferência 
    era extremamente importante para retornar os conteúdos
     projetados necessários para a individuação do analisando. 
    	O conjunto dos processos e métodos 
    psicanalíticos de transferência, resistência, interpretação
    e fases do desenvolvimento, bem dominados pelo analista,
    constituem a base dos fundamentos da prática psicanalista.
    

    Contratransferência

          O processo psicanalítico é longo, portanto não
     devemos esquecer da pessoa do psicanalista, que 
    também é um ser humano, que sente,chora, tem a sua
     historia pessoal, seus defeitos, suas qualidades, suas 
    características própria, sua personalidade e que diante
     disso, apesar da formação psicanalítica, também está
     sujeito a reações diante do discurso do paciente, isto 
    é contratransferência, que se não bem estudada ou 
    negligenciada pode conduzir o tratamento a graves 
    erros, e se bem conhecida torna-se um valioso 
    instrumento terapéutico.
    	Quanto mais fluída for a resposta 
    contratransferencial, mais fácil será naturalmente 
    para o analista compreendê-la e superá-la. É muito 
    importante que o analista em sua reação contra-
    transferencial não permita a absorção da neurose 
    ransferencial do paciente o que irá aprofundá-lo 
    mais ainda no seu conflito, e o analista torna-se 
    incapaz para continuar o processo psicanalítico, 
    como tal se faz prudente o aconselhamento do 
    terapeuta em questão com outro analista. 
    

    PSICOSSOMÁTICA

     
    
               Define-se classicamente por "psicossomático" todo distúrbio somático que comporta, em seu
    determinismo, um fator psicológico interveniente, não de modo contingente, como pode 
    ocorrer em qualquer afecção, mas por uma contribuição essencial à gênese da doença 
    (Jeammet, p. 205),
    	Segundo Grinker, "é uma abordagem que engloba, em sua totalidade, processos 
    integrados de transações entre diversos sistemas: somático, psíquico, social e cultural" Se 
    refere a um conceito de processos entre os sistemas vivos e sua elaboração social e cultural.
    	Ainda mal entendido em sua caracterização a abordagem psicossomática não se 
    trata de uma nova especialidade médica ou psicológica, mas de uma visão integrativa e 
    enriquecedora do conhecimento profissional, além de constituir em paradigma de uma forma
    de pensar o ser humano e que privilegia a interação terapêutica profissional - cliente como 
    meio facilitador da transição para a saúde.
    	"Em todo ser vivo, aquilo que designamos como partes constituintes forma um todo
     inseparável, que só pode ser estruturado em conjunto, pois a parte não permite reconhecer o 
    todo, nem o conjunto deve ser reconhecido nas partes" (Goethe). 
    	O termo “psico-somático” apareceu aproximadamente a 200 anos, em um texto de
    Heinroth, no qual o autor buscava uma forma particular de insônia. Um dos seguidores do
     pensamento dessa linha foi Willam Mostsloy, que há mais de 100 anos escreveu que quando o
    sofrimento não pode expressar-se pelo pranto, ele faz chorarem outros orgãos. A apartir da
    década de 40 o termo psicossomática passou a ser empregado como substantivo, para designar,
     no campo da medicina, a decisiva influência dos fatores psicológicos na determinação das 
    doenças orgânicas sendo que hoje ninguem mais contesta a inequívoca interação entre o 
    psiquismo determinando as alterações somáticas e vice-versa. A somatização como resposta à
    dor mental é uma das respostas psíquicas mais comuns que o ser humano é capaz., no entanto,
    a recíproca também é verdadeira, isto é, o sofrimento orgânico, em alguma forma e grau, 
    igualmente repercurte no psiquismo. A psicossomática é o estudo do complexo jogo de causas
    e efeitos presentes na evolução da enfermidade, é o estudo sobre a relação mente-corpo, sobre
     os mecanismos de enfermidades, notadamente sobre os fenômenos do estresse.
    	Hoje, a gama de atividades do que se chama psicossomática abrange o ensino ou a
     prática de todo o tipo de fenômenos de saúde, o de interação entre pessoas como as relações 
    profissional-paciente,as relações humanas dentro de uma família ou de uma instituição de 
    saúde, a questão das doenças agudas e crñicas, o papel das reações adaptativas ao adoecer,
    à invalidez, à morte, os recursos terapêuticos extraordinários.
    	A medicina psicossomática ergeu-se sobre três teses centrais: 
    	    1. a etilopatologia somática esta comprometid, em casos determináveis ou 
    deforma unuversal, com a função psicolólogica. 
    	    2. a ação assistencial é um processo complexo de interação sociaçque, além de
     incluir os conhecidos atos semiológicos, diagnósticos e terapéuticos, contém elementos da 
    vida afetiva e irracional dos participantes.
    	   3. a natureza essencial do ato médico é humanista e, portanto, a terapêutica deve 
    estruturar-se em função da pessoa do doente e não apenas organizar-se, preventiva ou 
    curativamente,  apartir do reconhecimento de uma patologia..
    	Cada uma dessas afirmações continuam representando os elementos principais das 
    três vertentes teóricas comuns a toda concepção psicossomática. Respectivamente; 
    1) a Psicogênia; 2) a Psicologia Médica; 3) a Antropologia Médica. Destacando. Percorrer cada
     um desse caminhos isolados seria uma atitude simplificadora, tal atititude reducionista 
    conduziria às perspectivas conhecidas, com alguma ampliação, ou da Patologia Geral, ou da 
    conduta clínica, ou da filosofia médica, portanto a mais precisa é aquela que estrutura os três 
    aspectos num só, ou seja , um conceito de Psicossomática que interge as três; a doença com a 
    sua dimensão psicológica; a relação do médico-paciente com sues multiplos desdobramentos; 
    a ação terapéutica voltada para a pessoa do doente, este entendido como  um todo biopsicossolcial.
    	Toda doença mental, somática ou comportamental apesar de seu caráter desviante e
     regressivo, é ainda uma tentativa de estabelecimento de um equilíbrio do organismo, que não 
    consegue enfrentar as tensões internas ou externas às quais está submetido por intermédio de 
    recursos mais evoluídos. Os caminhos possíveis para o escoamento das excitações, o pensamento, 
    a motricidade e o corpo, são também os caminhos potenciais da patologia. A insuficiência de 
    recursos regressivos no âmbito dos processos mentais conduz à desorganização progressiva da
    economia psicossomática. Na clínica, a atenção ao relato, à história médica e à própria interação
     com o terapeuta revelam os recursos empregados na vida relacional do paciente e a organização
    do seu funcionamento psicossomático, bem como o impacto dos traumatismos que o atingiram. 
    	Uma clínica que requer do terapeuta a capacidade de compartilhar da experiência da 
    doença para poder compreendê-la, de acolher o desamparo do paciente e o desequilíbrio que os 
    exames e o diagnóstico revelam. Vencendo as angústias e as resistências mobilizadas na 
    contratransferência, a função terapêutica é assimilada à função materna, assumindo
    imaginariamente, junto ao paciente, o que este não pode suportar ou elaborar por si mesmo. É 
    preciso fazer do encontro terapêutico um espaço de repouso no qual a pessoa fragilizada encontre
     condições para se refazer e consolidar novas dinâmicas psíquicas. Por isso mesmo, é necessário 
    ao terapeuta um exercício permanente de liberdade que lhe permita entrar em contato com as 
    sensações, fantasias e emoções mobilizadas em si pelo paciente e tomá-las como informações 
    importantes a respeito daquilo que ocorre com o paciente.

    Escala de Avaliação Global do Funcionamento (AGF)

       
        
    
    Considerar o funcionamento psicológico, social e ocupacional em um continuum hipotético de
    saúde-doença mental. Não incluir prejuízo no funcionamento devido a limitações físicas 
    (ou ambiemais). 
    
    Código (Obs.: Usar códigos intermediários quando apropriado, p. ex., 45, 68, 72) 
    
    100 -  91 : Funcionamento superior em uma ampla faixa de atividades, problemas vitais jamais
     fora de controle, é procurado por outros em vista de suas muitas qualidades positivas.
     Assintomático. 
    
    90 – 81 : Sintomas ausentes ou mínimos (p. ex., leve ansiedade antes de um exame), bom 
    funcionamento em todas as áreas, interessado e envolvido em uma ampla faixa de atividades,
    socialmente eficiente, em geral satisfeito com a vida, nada além de problemas ou preocupações 
    cotidianas (p. ex., uma discussão ocasional com membros da família). 
    
    80 - 71 Se estão presentes, os sintomas são temporários e consistem de reações previsíveis a 
    estressores psicossociais  (p. ex, dificuldade para concentrar-se após uma discussão em família); 
    não mais do que leve prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou escolar (p. ex., 
    apresenta declínio temporário na escola). 
    
    70 - 61 Alguns sintomas leves (p. ex., humor depressivo e insônia leve) OU alguma dificuldade
    no funcionamento social. ocupacional ou escolar (p. ex., faltas injustificadas à escola
    ocasionalmente, ou furto dentro de casa), mas geralmente funcionando muito bem; possui
    alguns relacionamentos interpessoais significativos. 
    
    60 – 51: Sintomas moderados (p. ex., afeto embotado e fala circunstancial, ataques de pânico
    ocasionais) OU dificuldade moderada no funcionamento social. ocupacional ou escolar 
    (p. ex., poucos amigos, conflitos com companheiros ou colegas de trabalho). 
    
    50 – 41 :  Sintomas sérios (p. ex, ideação suicida, rituais obsessivos graves, freqüentes furtos
    em lojas) OU qualquer prejuízo sério no funcionamento social, ocupacional ou escolar (p. ex.,
    nenhum amigo, incapaz de manter um emprego). 
    
    40 – 31 : Algum prejuízo no teste de realidade ou na comunicação (p. ex., fala às vezes ilógica,
    obscura ou irrelevante) OU prejuízo importante em diversas áreas, tais como emprego ou
    escola, relações familiares, julgamento, pensamento ou humor (p. ex., homem deprimido evita 
    amigos, negligencia a família e é incapaz de trabalhar; criança freqüentemente bate em
    crianças mais jovens, é desafiadora em casa e está indo mal na escola). 
    
    30 – 21 :Comportamento consideravelmente influenciado por delírios ou alucinações OU sério
    prejuízo na comunicação ou julgamento (p. ex, ocasionalmente incoerente, age de forma
    amplamente imprópría, preocupação suicida) OU incapacidade de funcionar na maioria das 
    áreas (p. ex., permanece na cama o dia inteiro; sem emprego, casa ou amigos). 
    
    20 – 11: Algum perigo de ferir a si mesmo ou a outros (p. ex., tentativas de suicídio sem clara
    intenção de morte; freqüentemente violento; excitação maníaca) OU ocasionalmente não
    consegue manter o mínimo de higiene pessoal (p. ex., suja-se de fezes) OU amplo prejuízo na
    comunicação (p. ex, ampla incoerência ou mutismo) 
    
    10 – 1: Perigo persistente de ferir a si mesmo ou a outros (p. ex, violência recorrente) OU 
    ínabílidade persistente de manter uma higiene pessoal mínima OU sério ato suicida com claro
    intento de morte.
    
    OBS.: Usar códigos intermediários quando apropriado, p. ex., 45, 68, 72) 
    

    GLOSSÁRIO COM TERMOS PSICANALÍTICOS

       
       
    
                    - Dra Ruth M. Cerqueira Leite, do Departamento de Psiquiatria da Unicamp -
                         (Jornal "Folha de São Paulo", Folhetim, 23 de setembro de 1979)
     
    
    1) Ab-Reação - Descarga emocional, pela qual o afeto ligado a uma recordação traumática é liberado,
    quando esta, até então inconsciente, chega à consciência. A ab-reação pode ser provocada durante o 
    processo terapêutico, mas põe também ocorrer espontaneamente.
    2) Acting-Out - Expressão inglesa, que em sua essência significa substituição momentânea do 
    pensamento pela ação, onde domina o caráter impulsivo, e a incapacidade para raciocinar. Na
    psicanálise é interpretado como o retorno abrupto de um conteúdo reprimido (ver repressão), cujo 
    afeto é demasiado intenso para ser descarregado em palavras.
    3) Afeto - Termo geral que designa os sentimentos e emoções. Considera-se que o afeto nem sempre 
    está ligado à idéia (recordação, representação). No caso em que a recordação é muito dolorosa e 
    ameaçadora, o ego a reprime (ver repressão) mas o afeto correspondente pode se deslocar para outras 
    idéias associadas menos perigosas, ludibriando a censura e liberando-se parcialmente ao chegar à 
    consciência.
    4) Agorafobia - Forma de fobia onde o indivíduo teme os espaços abertos (ruas, praças, campos 
    abertos ) e reage com angústia ao ter que enfrentá-los sozinho.
    5) Angústia - Reação emocional intensa como resposta a um perigo real ou imaginário (angústia 
    automática). Na psicanálise essa angústia automática é resultado de uma fluxo incontrolável de 
    excitações de origem interna ou externa.
    6) Aparelho Psíquico - Designa os modelos concebidos por Freud para explicar a organização e o 
    funcionamento da mente. Para isso ele propôs algumas hipóteses entre as quais as mais conhecidas 
    são: a hipótese econômica que concerne essencialmente á quantidade e movimento da energia na 
    atividade psíquica; a hipótese topográfica que tenta localizar a atividade mental em alguma parte 
    do aparelho, que ele divide em: consciente preconsciente e inconsciente; e a hipótese estrutural na 
    qual ele divide a mente em três instâncias funcionais: Id, ego e superego, atribuindo a cada uma 
    delas uma função específica.
    7) Catarse - Método terapêutico que permite a evocação e a revivência de acontecimentos 
    traumáticos que foram reprimidos, permitindo a descarga dos afetos ligados a estes (ver ab-reação).
    8) Censura - Barreira que impede que ideais e afetos reprimidos no inconsciente cheguem ao 
    consciente.
    9)Claustrofobia - E ação emocional intensa e injustificada a lugares fechados.
    10) Complexo de Castração - Ao perceber que há pessoas que não possuem pênis, o menino começa
    a temer a perda do seu próprio. Sente isso como uma ameaça paterna por suas atividades sexuais e 
    seus desejos incestuosos. A menina sente a ausência de pênis como uma perda já consumada e 
    procura de alguma forma compensá-la. A ansiedade de castração tem um lugar fundamental na
    evolução da sexualidade infantil dos dois sexos e aparece constantemente na experiência analítica 
    subjacente às modalidades de relacionamento do indivíduo com seu mundo interno e externo.
    11) Complexo de Édipo - De acordo com Freud a criança entre 2 e 5 anos aproximadamente 
    desenvolve intenso sentimento de amor pelo genitor do sexo oposto e grande hostilidade pelo do 
    próprio sexo, a quem deseja eliminar como a um rival. Esses sentimentos geralmente são vividos 
    com grande intensidade e ao mesmo tempo com grande ambivalência, pois embora odeie o genitor
    do mesmo sexo, que o impede de realizar seus desejos, também o ama por tudo de bom que ele 
    representa. Surge então a culpa e o medo à retaliação (medo à castração). Esse conflito geralmente
    declina após a idade de 5 anos e reaparece com o advento da puberdade, sendo um dos fatores que 
    contribuem para a crise da adolescência. De uma resolução satisfatória desse conflito depende uma
    boa estruturação da personalidade
    12) Condensação - é um processo característico do pensamento inconsciente e no qual duas (ou 
    mais) imagens se combinam para formar uma imagem composta que está investida do afeto 
    derivado de ambas. Encontramos exemplos desse processo nos sonhos principalmente.
    13) Conflito - Na psicanálise, refere-se geralmente, ao conflito interno entre impulsos 
    instintivos e entre as instâncias (id, ego e superego) e ao conflito edipiano (Ver Complexo de Édipo).
    14) Defesa - É o conjunto de manobras inconscientes (mecanismos de defesa) que o ego se utiliza 
    para evita ameaças à sua própria integridade. Essas ameaças podem surgir pela intensificação dos
    impulsos instintivos que põem em perigo o equilíbrio do ego, que tem como função harmonizar esse 
    impulsos com os imperativos do superego ("consciência moral") e às exigências da realidade 
    externa.
    15) Ego - É uma das três instâncias (id, ego e superego) que Freud concebeu em um de seus 
    modelos para explicar o funcionamento da mente humana (ver aparelho psíquico). O ego é a parte
    organizada desse sistema que entra em contato direto com a realidade externa e através de suas 
    funções tem capacidade de atuar sobre esta numa tentativa de adaptação. Por isso, estão sob o
    domínio do ego as percepções sensoriais, os controles e habilidades para atuar sobre o ambiente,
    a capacidade de lembrar, comparar e pensar. No âmbito de sua relações com as outras duas 
    instâncias do sistema e o ego assume o papel de mediador e integrador dos impulsos instintivos do 
    id (ver id) e as exigências do superego (ver superego), para adaptá-los à realidade externa.
    16) Fantasia - refere-se à atividade imaginativa subjacente a todo pensamento e sensação. As 
    fantasias podem se apresentar sob forma consciente, como acontece nos sonhos diurnos, ou 
    inconscientes, subjacentes a um conteúdo manifesto como nos sonhos ou nos sintomas neuróticos
    etc. Está sempre ligada intimamente aos desejos instintivos.
    17) Fase Anal - É a Segunda do desenvolvimento libidinal (ver libido), e está situada entre um e 
    três anos de idade. Nesta fase os interesses da criança se organizam predominantemente em torno
    da função anal, pelo prazer que sente na expulsão e retenção das fezes, que ela agora consegue
    controlar através de um crescente domínio muscular. Esse controle tem também conseqüências 
    importantes no relacionamento interpessoal com o meio ambiente. A criança agora é capaz de 
    dar e negar (as fezes) de colocar esse controle a serviço as expectativas do meio ou de sua 
    necessidade e prazer. As atitudes que se formam nessas interações com o meio vão estabelecer
    em grande parte as bases de seus futuros relacionamentos.
    18) Fase Fálica - Nesta fase que vai de 3 a 5 anos aproximadamente, a libido concentra-se nos
    órgãos genitais que se tornam a zona erógena predominante. Os conflitos dessa fase estão 
    ligados ao Complexo de Édipo, com o surgimento de desejos incestuosos e seu conseqüente 
    temor à castração. Oscila o seu comportamento entre a iniciativa e a culpa.
    19) Fase de Latência - Inicia-se por volta dos 5 anos e se estende até o início da puberdade. 
    Caracteriza-se principalmente pelo declínio dos interesses sexuais, que segundo a teoria 
    psicanalítica são reprimidos e só aparecem na adolescência. Nessa fase tendo superado em 
    parte os conflitos do Complexo de Édipo, amplia seu ambiente social procurando estabelecer
    novos contatos, assim como se dedica a adquirir novas habilidades na aprendizagem escolar, 
    nos esportes etc..
    20) Fase Oral - corresponde ao 1º ano de vida de uma criança, onde seus contatos mais 
    significativos são feitos através da boca. Além de sua função na alimentação, ela é também
    a sede principal dos prazeres eróticos da criança nessa fase. Podemos observar que uma 
    criança inquieta pode se acalmar com uma chupeta porque a sucção produz uma satisfação 
    erótica que alivia as sensações do organismo.
    Nessa fase a criança é essencialmente dependente e receptiva. A incorporação e o modelo 
    básico de seu comportamento nas interações com o meio.
    O relacionamento que estabelece com a mãe nesse período da vida vai ter uma importância
    fundamental na forma que a criança vai configurar o mundo e se relacionar em seu ambiente. 
    Uma boa mãe saberá dosar bem a satisfação das necessidades de seu bebê e as restrições, o
    que estabelecerá uma base de confiança nos futuros relacionamentos.
    Distúrbios no desenvolvimento desta fase geralmente se evidenciam mais tarde por traços de
    dependência excessiva de outras pessoas, de alimentos (obesidade), de álcool (alcoolismo) ou
    de qualquer outra coisa.
    21) Fixação - Processo pelo qual o indivíduo permanece vinculado a modos de satisfação ou
    padrões de comportamento característicos de uma fase anterior de seu desenvolvimento 
    libidinal (ver libido). A fixação pode ser também a pessoas significativas da infância. Assim 
    encontramos expressões freqüentemente usadas na psicanálise como fixação oral, fixação 
    anal, fixação maternal, fixação paternal. Chamamos pontos de fixação àqueles momentos 
    do desenvolvimento libidinal que foram perturbados e dos quais o indivíduo permanece 
    fixado ou dos quais regride em estado de tensão.
    22) Histeria - Tipos de neurose que se caracterizam principalmente pelos distúrbios funcionais 
    de aparência orgânica, como paralisias, perturbações sensoriais, crises nervosas, sem
    evidência de patologia física, e que se manifestam de modo a sugerir que servem a alguma 
    função psicológica.
    As formas sintomáticas melhor definidas são a "histeria de conversão" onde o conflito 
    psíquico se expressa nos mais diversos sintomas corporais (como paralisias, crises 
    emocionais, anestesias) e a "histeria de angústia" também conhecida como "fobia", 
    onde o agente de perseguição interno é deslocado e fixado em algum objeto (ver 
    Objeto) do mundo externo.
    23) Idealização - Processo no qual o indivíduo supervaloriza o objeto (ver objeto) 
    negando-se a ver todos os aspectos que possam desvalorizá-lo.
    24) Identificação - Processo pelo qual o indivíduo se torna idêntico a outro pela assimilação 
    de traços ou atributos daquele que lhe serve de modelo. Nesse processo o indivíduo, tanto 
    pode assimilar aspectos de outra pessoa como também pode, identificar em outros aspectos 
    seus. É através das identificações que desde o princípio a personalidade se forma e se 
    diferencia.
    25) Id - Uma das instâncias da teoria estrutural (id, ego, superego) do aparelho psíquico.
    O Id que opera em nível inconsciente contém os impulsos instintivos que se originam na 
    organização somática e ganham aqui expressão psíquica e também idéias e recordações que
     por serem insuportáveis ao indivíduo foram reprimidas. É considerado como um 
    reservatório de energia, com a qual alimenta também as outras instâncias (ego e superego).
    Porém, não possui uma organização comparável à do ego, pois é regido pelo Princípio do
    Prazer, que busca sempre a satisfação, ignorando as diferenças e contradições e sem a 
    capacidade de considerar espaço e tempo. Sua interação com as outras instâncias é 
    geralmente conflituosa pois o ego sob os imperativos do superego e as exigências da 
    realidade tem que avaliar e controlar os impulsos provindos do Id, permitindo sua 
    satisfação, adiando-a ou inibindo-a totalmente.
    26) Inconsciente - É possivelmente o conceito mais fundamental da teoria freudiana. 
    Em seu trabalho Freud demonstrou que o conteúdo da mente não se reduz ao consciente, 
    mas que pelo contrário a maior parte da vida psíquica se desenrola em nível inconsciente. 
    Ali se encontram principalmente idéias (representações de impulsos) reprimidas, às quais
    é negado o acesso à consciência mas que têm grande influência na vida consciente. Estas
     idéias reprimidas aparecem de forma disfarçada nos sonhos e nos sintomas neuróticos
    principalmente e é através do seu conhecimento que podemos chegar até o conflito
    neurótico durante um processo terapêutico geralmente. O inconsciente é uma das 
    entidades do 1º modelo da mente criado por Freud (ver aparelho psíquico).
    27) Insight - Percepção pelo indivíduo dos significados, antes inconscientes, subjacentes
    e seus comportamentos e pensamentos. O Insight pode ser intelectual onde a 
    compreensão do significado ocorre sem a vivência afetiva correspondente, ou emocional 
    onde essa compreensão é acompanhada da descarga emocional.
    28) Libido - É a energia inerente aos movimentos e transformações dos impulsos sexuais.
    Ela é a contrapartida psíquica da excitação sexual somática. É uma palavra latina que 
    significa desejo, vontade.
    29) Masoquismo - É uma forma de perversão sexual na qual a satisfação é obtida 
    através de sofrimento e humilhação do próprio indivíduo.
    30) Metapsicologia - Termo criado por Freud para designar as formulações que fez para 
    descrever os fenômenos mentais do ponto de vista dinâmico, tópico e econômico (ver
    aparelho psíquico).
    31) Narcisismo - Perversão em que o indivíduo escolhe a si mesmo como objeto sexual.
    32) Neurose - Em sua essência vai designar os distúrbios dos comportamentos, 
    sentimentos ou idéias, que surgem como resultado de um conflito entre o id e o ego,
    onde uma tendência instintiva é reprimia pelo ego dando lugar á formação de sintomas
    neuróticos. Estes sintomas são percebidos pelo indivíduo como algo estranho e 
    incompreensível dentro do quadro geral de sua personalidade. Podem consistir de 
    alterações das funções corporais (cegueira histérica, por exemplo) onde não há
    nenhuma explicação fisiológica para o distúrbio; de emoções e ansiedades
    injustificadas como no caso de neurose obsessiva.
    O que mais caracteriza a neurose em contraste com a psicose é a preservação do contato
     do indivíduo com a realidade. Mantém assim apesar das distorções causadas pelos
    sintomas uma boa margem de senso crítico e a capacidade de perceber sua própria 
    doença.
    33) Objeto - Na teoria psicanalítica significa aquilo através do que um impulso 
    instintivo pode obter satisfação. Pode ser uma pessoa em sua totalidade ou parte dessa 
    pessoa (como o seio para o bebê)., pode ser uma entidade ou um ideal. Os objetos
    podem ser reais ou imaginados.
    34) Paranóia - É uma psicose funcional (ver psicose) que se caracteriza pela presença 
    de delírios mais ou menos sistematizados, que mantém certa lógica e coerência interna e
    sem que haja uma deteriorização do intelecto.
    35) Perversão - qualquer forma de conduta sexual adulta, na qual o prazer não seja
    obtido pela penetração genital com indivíduo do outro sexo.
    36) Pre-Consciente - Refere-se aos pensamentos que não são conscientes num dado 
    momento mas que podem chegar espontaneamente à consciência ou por evocação do
    próprio indivíduo. Diferem dos pensamentos inconscientes que por terem sido reprimidos
    não têm acesso à consciência a não ser em circunstâncias muito especiais.
    Como substantivo refere-se a um sistema do aparelho psíquico, concebido por Freud
    (ver aparelho psíquico).
    37) Projeção - Processo defensivo (ver defesa) no qual o indivíduo atribui a outro 
    (pessoa ou coisa) sentimentos e desejos que seria penoso admitir como seus próprios.
    38) Psicanálise - Disciplina criada por Freud que consiste em um método par 
    investigação dos processos mentais, um método de tratamento das desordens psíquicas
    e um corpo e teorias que tenta sistematizar os dados introduzidos pelos métodos 
    psicanalíticos mencionados acima.
    A técnica psicanalítica de tratamento consiste basicamente em levar o paciente a 
    associar livremente, isto é, exprimir indiscriminadamente todos os pensamentos que lhe
    ocorrem sem preocupação de dar-lhes sentido ou coerência; interpretar tanto as 
    associações como os obstáculos que encontra ao associar ajudando assim o paciente a
    eliminar as resistências que o impedem de tomar contato com os conflitos inconscientes;
     e interpretar seus sentimentos e atitudes em relação ao analista, pois o paciente tende 
    a repetir na relação terapêutica as modalidades de relacionamento que teve com seus
    progenitores durante a infância (ver transferência).
    Em resumo, chamamos psicanálise o trabalho que ajuda o paciente a tornar conscientes
     suas experiências reprimidas, expondo assim suas motivações até então desconhecidas.
    39) Psicose - Perturbação grave das funções psíquicas que se caracteriza principalmente
     pela perda de contato com a realidade, pela incapacidade de adaptação social, por 
    perturbações da comunicação e ausência de consciência da doença. Para Freud a 
    psicose é resultado do conflito entre o ego e o mundo exterior. Diante da frustração de
    fortes desejos infantis, o ego nega a realidade externa e procura construir através do 
    delírio um mundo interno e externo de acordo com as tendências do id. A psiquiatria 
    distingue duas classes de psicoses: as orgânicas onde uma enfermidade orgânica é 
    encontrada como causa e as funcionais onde não há lesão orgânica demonstrável. Três
    formas de psicose funcional são reconhecidas: a esquizofrenia, a psicose maníaco-
    depressiva e a paranóia.
    40) Psicose Maníaco Depressiva - Psicose em que se alternam períodos de mania 
    (euforia, auto-confiança exagerada) e depressão, geralmente com períodos 
    intermediários de normalidade.
    41) Psicoterapia - Termo comumente usado para designar as formas de tratamento
    psicológico que se diferenciam da psicanálise, a qual é uma forma de terapia mais
    profunda, mais intensa e total que qualquer outra. A "psicoterapia de orientação 
    psicanalítica" usa a teoria psicanalítica em combinação com outras técnicas. A
    psicoterapia pode ser individual ou em grupo, superficial ou profunda, de apoio ou
    sugestiva. Pode ter marcos referenciais teóricos os mais diversos, como vemos na 
    gestalt, no psicodrama, na análise transacional etc. Considera-se que de modo geral
    seu trabalho é feito principalmente nos níveis mais conscientes da personalidade.
    42) Racionalização - Processo defensivo (ver defesa) no qual o indivíduo procura 
    justificar suas ações de forma coerente desconhecendo entretanto suas motivações
    inconscientes.
    43) Regressão - Processo defensivo do qual o indivíduo, a fim de evitar a angústia, 
    retorna a uma fase anterior do desenvolvimento, apresentando os padrões de 
    comportamento daquela fase.
    44) Repressão - Mecanismo de defesa do ego (ver defesa)., pelo qual as representações
    de impulsos que podem produzir angústia são mantidas recalcadas no inconsciente.
    45) Sadismo - Perversão sexual, na qual o prazer erótico está vinculado ao sofrimento
    e humilhação que o indivíduo inflige a outro.
    46) Sublimação - Processo pelo qual a energia dos instintos sexuais é deslocada para
    atividades ou realizações de valor social ou cultural, como as atividades artísticas ou
    intelectuais.
    47) Superego - Uma das três instâncias da personalidade, que Freud concebeu em um
    dos modelos do aparelho psíquico (ver aparelho psíquico). O superego é formado a 
    partir das identificações com os genitores, dos quais ele assimila as ordens e proibições.
     Assume então o papel de juiz e vigilante, formando uma espécie de auto-consciência 
    moral Os mandatos do superego incluem muitos elementos inconscientes que derivam 
    do passado do indivíduo e que podem entrar em conflito com seus valores atuais.
    Com relação as outras instâncias, ele é o controlador por excelência dos impulsos do
    id e age como colaborador nas funções do ego, mas muitas vezes ele se torna
    extremamente severo anulando as possibilidades de satisfação instintiva e a 
    apacidade de livre escolha do ego.
    48) Transferência  - É um processo pelo qual o indivíduo recapitula em suas relações
    atuais, especialmente com seu terapeuta, as relações que teve com seus genitores na
    infância. A transferência se dá geralmente com pessoas que representam alguma
    autoridade como no relacionamento professor-aluno, médico-paciente, patrão-
    empregado. Freud, a princípio encontrou na transferência um obstáculo para o
    tratamento, porém mais tarde utilizou-a como uma parte essencial do processo 
    terapêutico.
    

    GLOSSÁRIO JUNGUIANO

    GLOSARIO DOS TERMOS JUNGUIANO

     

    Dra Ruth M. Cerqueira Leite, do Departamento de Psiquiatria da Unicamp -

    (Jornal "Folha de São Paulo", Folhetim, 23 de setembro de 1979)

     

    Os conceitos básicos da Psicologia Analítica amplamente utilizados por nós, cujas definições que se seguem são com o objetivo de clarear e dar ao leitor uma melhor visão, ainda que superficial, da estrutura psíquica segundo o ponto de vista da psicologia analítica. Pelo fato do próprio Jung não ter tratado muito de definições em termos de um sumário sistemático de sua psicologia ( sempre que ele mencionava algum conceito, o fazia sob novo prisma, dentro de alguma correlação específica) e para termos uma noção de como ele usava esses termos, algumas das explicações abaixo foram extraídas de vários textos ao longo de sua obra, escritos em épocas distintas.

     

    A

    Abaissement du neveau mental: Um abaixamento do nível da consciência, uma condição mental e emocional experienciada como uma "perda da alma". É um afrouxamento na intensidade da consciência que é sentido como falta de interesse, tristeza ou depressão, e que as vezes acontece de forma tão intensa que simplesmente toda a personalidade se desmorona perdendo assim sua unidade.

    Entre as causas que a provocam estão a fadiga mental e física, o adoecimento do corpo, emoções violentas e choque traumático restringindo a personalidade como um todo. - Ver depressão.

    Ab-reação: Um método de se tornar consciente de reações emocionais reprimidas através do reviver e do recontar de uma experiência traumática.

    Depois de algum interesse inicial pela "Teoria do Trauma", Jung abandonou a ab-reação (juntamente com a sugestão) como uma ferramenta efetiva na terapia da neurose pois ele percebe que a maioria dos traumas eram invenções fantasiosas que nunca tinha acontecido e assim não poderia imaginar que a repetição dessas experiências inteiramente exageradas pudesse ter um valor terapêutico diferente do procedimento da sugestão

    Afeto: Reações emocionais marcadas com sintomas físicos e distúrbios no pensamento. - Ver complexo e pensamento. O surgimento de um afeto é indubitavelmente um sinal de que um complexo tenha sido ativado. Eles surgem normalmente onde uma adaptação é fraca e ao mesmo tempo revelam a razão para esta fraqueza.

    Alma: Jung faz uma distinção entre psique e alma onde esta sub entende-se um limitado complexo de funções que fica melhor caracterizado pela expressão "personalidade".

    Amplificação: Método de interpretação de imagens onírica e desenhos desenvolvido por Jung no qual o motivo ou a imagem onírica é ampliada, esclarecida e dado à ela um contexto significativo comparando-a com imagens similares da mitologia, folclore e religião comparada. A amplificação estabelece o contexto coletivo de um sonho, permitindo que seja visto não só em seu aspecto pessoal, mas em termos arquetípicos gerais que são comuns à toda humanidade.

    Análise Junguiana: Forma de terapia que busca tornar consciente os conteúdos inconscientes. é também chamada de Terapia Analítica baseada na escola de pensamento desenvolvida por Carl Gustav Jung conhecida por Psicologia Analítica ou Psicologia Profunda. Para Jung a análise consiste em remover as pedras do meio do caminho do desenvolvimento não sendo um método de colocar coisas no paciente que já não estivessem lá. a arte da análise se baseia em seguir o paciente em todos os seus caminhos enganosos e desta forma ajudá-lo a juntar os pontos que estavam faltando. É um erro comum pensar em um processo analítico como uma cura, pois este pode ser descrito com um reajustamento da atitude psicológica conquistada com a ajuda do terapeuta.

    Anima: Latim, fem., "ALMA." O lado inconsciente, feminino da personalidade do homem. Ela é personificada nos sonhos por imagens de mulheres que variam em natureza desde prostitutas e sedutoras à Sabedoria Divina e guias espirituais. Ela é o princípio de Eros nos homens. A identificação com a anima leva um homem a se tornar temperamental e ressentido. O desenvolvimento da anima de um homem se reflete em como ele se relaciona com mulheres. A anima pode ser tanto um complexo pessoal quanto uma imagem arquétipica de mulher na psique de um homem. Dentro da psique de um homem a anima funciona como sua própria alma, influenciando suas idéias, atitudes e emoções e intensifica, exagera, falsifica e mitologiza todas as relações com seu trabalho e com pessoas de ambos os sexos. Quando a anima está fortemente constelada, ela amolece o caráter do homem tornando-o suscetível, irritável, temperamental, ciumento, vaidoso e desajustado.

    Animus: Latim, masc., "ALMA." O lado inconsciente, masculino da personalidade da mulher. Ele é o LOGOS, princípio ativo na mulher, personificado nos sonhos por figuras masculinas que variam em natureza desde homens musculosos à poetas e líderes espirituais. Como a anima é para o homem, o animus pode ser tanto um complexo pessoal quanto uma imagem arquetípica de homem na psique de uma mulher. Quando identificada com o animus a mulher se torna argumentativa e rígida nas opiniões. O desenvolvimento do animus em uma mulher é refletido em como ela se relaciona com os homens. em geral.

    Sua alma contém aquelas qualidades humanas de fraqueza e senso de determinação que faltam completamente à sua atitude consciente, à sua persona. Se a persona for intelectual, a alma será sentimental com toda certeza. O caráter compensatório da alma atinge também o caráter sexual. Uma mulher muito feminina tem uma alma acentuadamente masculina; homem muito masculino tem uma alma feminina. A anima e o animus têm um papel importante nas relações amorosas, onde as pessoas, inconscientes desses arquétipos, são levadas a projetá-los no sexo oposto. O desenvolvimento consciente da anima e do animus acarreta numa ampliação da personalidade e num relacionamento mais rico com o outro.

    Arcaico: Primal ou original. (Ver participation mystique.) Jung usava este termo quando se referia a pensamentos, fantasias e sentimentos que não são conscientemente diferenciados. Uma imagem possui uma qualidade arcaica quando ela possui inquestionavelmente um paralelo mitológico. A relação de identidade com um objeto, ou participation mystique é igualmente arcaica. Concretismo de pensamento e de sentimento são arcaicos. como também a compulsão e a inabilidade de auto-controle.

    Arquétipos: O arquétipo é um dinamismo que se faz presente pelo poder numinoso e fascinante de uma imagem arquetípica. São predisposições inatas que surgem na consciência como imagens, padrões ou motivos recorrentes e universais que representam e simbolizam a experiência típica humana universal de diferentes maneiras. São elementos primordiais da estrutura da psique humana. ( ver imagem arquetípica e/ou instinto). Eles constituem sistemas de presteza para a ação, como ao mesmo tempo imagens e emoções. Eles são por definição, fatores e motivos que arranjam os elementos psíquicos em certas imagens que pode ser reconhecidas somente pelo efeito que elas produzem; como o campo magnético de uma barra imantada sobre um objeto de ferro. Quando os arquétipos se manifestam, já não são mais eles que são percebidos e sim suas representações, ou imagens arquetípicas. Há arquétipos que correspondem a várias situações, tais como as relações com os pais, o casamento, o nascimento dos filhos, o confronto com a morte.

    Associação: Fluxo espontâneo de pensamentos e imagens interconectados e imagens que surgem em torno de uma idéia específica e normalmente determinado por conexões significativas e não causais inconscientes.

    Atitude: A protidão da psique em agir ou reagir de uma certa maneira, baseada em orientações psicológicas submersas. (Ver adaptação, tipos, tipologia).

    Autonomo: Independente da vontade consciente, geralmente associada com a natureza do inconsciente e em particular com complexos ativados.

    Auto-regulação da psique: Um conceito baseado na relação compensatória entre consciência e o inconsciente. (Também veja adaptação, compensação, neurose, opostos e função transcendente.)

    A psique não só reage, como dá sua própria resposta específica às influências. [Alguns Pontos Cruciais em Psicanálise, " CW 4, par. 665.]

    O processo de auto-regulação é contínuo dentro da psique. Mas só podemos notá-lo quando o ego-consciência tem alguma dificuldade particular para se adaptar à realidade externa ou interna. Isso é freqüentemente o começo de um processo no caminho para a individuação.

    C

    Causal. Abordagem de interpretação de fenômenos psíquicos baseada na causalidade [causa e efeito]. (Ver redutivo).

    Compensação: Um processo natural com o objetivo de estabelecer e manter o equilíbrio dentro da psique. Para Jung a atividade consciente é seletiva no tocante a pensamentos, sentimentos e sensações. A seleção demanda uma direção e a direção requer a exclusão de tudo que é irrelevante. Isto restringe a consciência a uma orientação unilateral. Os conteúdos que são excluídos ou inibidos vão para o inconsciente formando um contrapeso para a orientação consciente. O fortalecimento desta contraposição acompanha em igual proporção a crescente atitude unilateral da consciência, conduzindo finalmente a uma tensão intensa. Quanto maior a unilateralidade da atitude consciente, maior a oposição dos conteúdos que provêm do inconsciente. Com o tempo, a tensão aumenta de tal forma que os conteúdos inconscientes inibidos se comunicam com a consciência, sobretudo por meio de sonhos ou de imagens surgidas na imaginação espontaneamente.

    Como via de regra, a compensação inconsciente não vai contra a consciência e sim equilibra e complementa a orientação consciente.

    Portanto a compensação exprime uma tentativa de equilíbrio ou troca. O conceito foi introduzido por A. Adler na psicologia da neurose. Na neurose, onde a unilateralidade consciente é extrema, o propósito da terapia analítica é a realização e assimilação dos conteúdos inconscientes para que a compensação possa ser restabelecida, que normalmente é conseguido ao se prestar bastante atenção aos sonhos, emoções e padrões de comportamento, e através da imaginação ativa. Ver também imaginação ativa.

    Complexo: É um conjunto coeso de sentimentos, pensamentos, percepções e memórias de carga emocional que existem no inconsciente individual agrupados em torno de um núcleo central que é uma imagem arquetípica que atrai em torno de si várias experiências. Um complexo é a imagem de uma certa situação psíquica que está fortemente acentuada emocionalmente, e além disto, é incompatível com as atitudes habituais da consciência. Jung vivia ressaltando que os complexos em si não são negativos; eles são os blocos estruturais de nossa psique e a fontes de todas as nossas emoções. Reconhecemos quando um complexo é ativado quando emoções interferem no equilíbrio psíquico e perturba a função costumeira do ego.

    A simples existência de um complexo não significa neurose e o fato deles serem dolorosos também não significa nenhum distúrbio patológico. Sofrimento não é doença. Um complexo se torna patológico quando nós pensamos que não os temos.

    A identificação com um complexo, particularmente a anima/animus e a sombra, é uma frequente fonte de neurose e nosso trabalho é reconhecermos que parte eles tomam em nossas atitudes e reações emocionais para minimizar seus efeitos negativos.

    Conjunctio: Literalmente, "conjunção," um termo usado na alquimia para se referir à combinações químicas; psicologicamente, se refere à imagem arquetípica da união dos opostos e do nascimento de novas possibilidades. Corresponde a uma condição de totalidade psicológica na qual o ego-consciência e o inconsciente trabalham juntos em harmonia. ë o objetivo da individuação que envolve a realização consciente do Self.

    Outros termos alquímicos usados por Jung com um significado psicológico muito próximo inclue: unio mystica (casamento sagrado ou místico), coincidentia oppositorum (coincidência de opostos), complexio oppositorum (os opostos encorporados em uma só imagem) unus mundus (um mundo) e a Pedra Filosofal.

    Consciência: A função ou atividade que mantém a relação dos conteúdos psíquicos com o ego; se distingue conceitualmente da psique que engloba a consciência e o inconsciente.

    Construtivo ou sintético: Uma abordagem de interpretação da atividade psíquica baseada em seus propósitos e objetivos em vez de suas causas e origens. Jung usa este método que é o oposta do método redutivo aplicado pela Psicanálise. Ele toma a produção do inconsciente como uma expressão simbólica que antecipa uma nova fase do desenvolvimento psicológico. O método construtivo envolve a amplificação dos símbolos e suas interpretação em um nível subjetivo. Seu uso na interpretação dos sonhos tem como objetivo a compreensão de como a orientação consciente pode ser modificada à luz das mensagens simbólicas oníricas. Isto se alinha à crença de Jung de que a psique é auto-reguladora.

    Jung se baseia em Maeder ao falar de uma função prospectiva que antecipa o desenvolvimento psicológico futuro. Jung também se baseia em Adler que considerava a existência de uma função antecipadora no inconsciente e afirma que o inconsciente não pode ser considerado unilateralmente como algo já criado, como um produto final.

    No tratamento das neuroses, Jung via o método construtivo como complementar e não em oposição ao método redutivo clássico da psicanálise.

    Contratransferência: É um caso particular de projeção usado para descrever a resposta emocional inconsciente do analista para o analisando em uma relação terapeutica. Ver também transferência

    D

    Depressão: Um estado psicológico caracterizado por falta de energia. Energia esta que não está disponível à consciência mas regredida no inconsciente remexendo seus conteúdos ( fantasias, memórias , desejos, etc) que para o bem de nossa saúde psicológica necessitam ser trazidos à luz da consciência e examinados. Desta forma a depressão deve ser entendida como uma compensação inconsciente cujo conteúdo deve ser tornar consciente para que seja totalmente efetivo.

    A depressão não é necessariamente patológica. Ela geralmente anuncia a renovação da personalidade ou um surto de atividade criativa. Conforme Jung em nossa vidas existem momentos quando viramos uma nova página. Novos interesses e tendências aparecem que até então ainda não tinham sido percebidos, o que existe uma mudança repentina de personalidade. Durante o período de incubação de tal mudança nós freqüentemente experimentamos uma perda da energia consciente. Ver também abaissement du niveau mental

    E

    Ego (EU): O ego é o sujeito da consciência e vem à existência como um complexo de representações que constitui o centro da consciência e o local da experiência de identidade subjetiva do indivíduo que parece ter grande continuidade e identidade consigo mesmo. O complexo do eu é tanto um conteúdo quanto uma condição da consciência, pois um elemento psíquico me é consciente enquanto estiver relacionado com o complexo do eu. Enquanto o eu for apenas o centro do meu campo consciente, não é idêntico ao todo de minha psique, mas apenas um complexo entre outros complexos. Por isso se distingue eu de Self (Si-mesmo).

    O eu é o sujeito apenas da consciência, mas o Si-mesmo é o sujeito do todo da personalidade, também da psique inconsciente. No processo de individuação, uma das tarefas iniciais é diferenciar o ego dos complexos no inconsciente pessoal, particularmente a persona, a sombra e a sizígia(animus/anima).

    Emoção: Uma reação involuntária devido à ativação de um complexo. Ver afeto.

    Enantiodromia: Significa "passar para o lado oposto", literalmente, "correndo no sentido contrário" referindo-se à emergência do oposto inconsciente no curso da vida. Isto normalmente ocorre quando uma tendência unilateral extrema domina a vida consciente; na mesma hora em que uma contraparte igualmente poderosa é construída e que primeiro começa a se apresentar inibindo a atuação da consciência e subseqüentemente irrompendo na consciência e tomando controle Jung a emprega este termo para caracterizar o aparecimento do contraste inconsciente, numa sucessão temporal. Sempre que predominar uma tendência unilateral na vida consciente, com o decorrer do tempo, acaba por converter-se numa posição contrária inconsciente que se manifestará como um obstáculo ao rendimento consciente, e mais tarde, como uma interrupção na direção consciente.

    A Enantiodromia é tipicamente experienciada em conjunto com sintomas associados à neurose aguda, e normalmente obscurece o renascimento da personalidade. Nas palavras de Jung: "Jamais se pode afirmar com cem por cento de certeza que as figuras espirituais do sonho sejam moralmente boas. Freqüentemente elas têm o sinal, não só da ambivalência como da malignidade. Devo, porém ressaltar que o grande Plano segundo o qual é construída a vida inconsciente da alma é tão inacessível à nossa compreensão que nunca podemos saber que mal é necessário para que se produza um bem por enantiodromia, e qual o bem que pode levar em direção ao mal."

    Energia Psíquica: Ver libido.

    Eros: Na Mitologia Grega, a personificação do amor, uma força cosmogônica da natureza; psicologicamente, a função do relacionamento. Ver também anima, animus, logos

    Extroversão: Um modo de orientação psíquica no qual interesse, valor e significado positivos são aderidos primariamente aos objetos externos. É caracterizada pelo interesse por objetos externos, correspondência e uma pronta aceitação dos acontecimentos externos, um desejo de influenciar e ser influenciado por eventos, uma necessidade de participar, uma capacidade de suportar barulhos de qualquer tipo, e ainda de achá-los agradáveis, uma constante atenção ao mundo ao redor, o cultivo de amigos e conhecidos, não muito cuidadosamente escolhidos e finalmente, extremamente apegado à auto-imagem. Assuntos subjetivos internos são de pouca valia. É uma atitude de abertura em relação ao mundo exterior, de interesse por ele e tudo o que ele contém, contrariamente à sua função oposta - a introversão. O indivíduo predominantemente extrovertido pensa, sente e age em relação ao objeto, ao mundo, ao outro (isto é, pessoas, animais, plantas, organizações, coisas, etc.) de forma direta, positiva e facilmente observável. Isto é, para onde é dirigida a sua energia vital, a sua libido.

    Jung propôs que a motivação do homem fosse entendida em termos de uma energia de vida criativa geral - a libido - capaz de ser investida em direções diferentes, assumindo grande variedade de formas. A libido corresponderia ao conceito de energia adotado na Física, a qual pode ser interpretada em termos de calor, eletricidade, motricidade, etc. Conforme a orientação de sua função psíquica, se a extroversão for intelectual, a pessoa pensará no objeto; se for sentimental, ela sentirá no objeto; se for sensual, usará os sentidos em geral para relacionar-se com o mundo; e se for sensitivo, a intuição, para saber das possibilidades que se encerram nas coisas.

    Fantasia: Um complexo de idéias ou atividades imaginativas que expressam o fluir da energia psíquica. Jung distinguia as fantasias entre ativas e passivas. As primeiras são características da mentalidade criativa e são evocadas por uma atitude intuitiva direcionada rumo à percepção dos conteúdos inconscientes.; as fantasias passivas são manifestações espontâneas e autônomas dos complexos inconscientes. Ver também imaginação ativa.

    Feminino: Ver anima, Eros e Logos.

    Função Auxiliar: São as duas funções bi-laterais e co-laterais de acordo com o modelo da tipologia Junguiana que atuam concomitantemente influenciando a consciência. Atuam como funções complementares ou secundárias que vêem à tona de acordo com nosso processo vital de adaptação ao mundo Por serem bi-laterias, elas sempre diferem em natureza da função superior ou primária. Se a pessoa se encontra no eixo das funções irracionais (intuição/sensação) as funções auxiliares pertencerão ao eixo racional (pensamento/sentimento), e vice-versa.

    Função Inferior: É a função psicológica menos desenvolvida ou menos diferenciada das quatro funções psicológicas de uma pessoa. É quase que idêntica ao lado escuro da personalidade humana. No modelo da Tipologia de Jung a função inferior ou a quarta função é o oposto da função principal e se comporta como um complexo autônomo cuja ativação é marcada por um afeto e resiste à integração. Apesar da função inferior poder ser consciente como um fenômeno, o seu verdadeiro significado todavia permanece irreconhecível ficando parcialmente ou totalmente inconsciente no caso de uma neurose. Consiste na função que não se desenvolve durante o processo de maturação. Ela se expressa de uma maneira primitiva, arcaica e carregada de comoção. A função inferior é a passagem para o inconsciente coletivo. Pelo fato das funções serem uma função de adequação ao meio, ao mundo, torna-se muito difícil o desenvolvimento simultâneo de todas as funções psicológicas e conseqüentemente as exigências sociais forçam o desabrochar daquela que poderá servir melhor ao sucesso social ou a seguir a própria natureza. Da identificação mais ou menos plena com a função privilegiada é que surgem os oito tipos psicológicos junguianos, combinados que são com as atitudes de extroversão e introversão. A unilateralidade desse desenvolvimento acaba relegando uma ou mais funções à precariedade, à escuridão, à infância. Normalmente, ocorre de percebermos certos sinais de sua presença em nós, daí a conhecermos pelo menos "de vista". Nas neuroses, porém, o caso é mais grave, podendo ocorrer forte incompatibilidade com a função principal, vindo a perturbar seriamente o equilíbrio psíquico da pessoa em questão. Com a função inferior no inconsciente, a energia naturalmente investida nela acaba ativando fantasias correspondentes à função em questão. A conscientização dessas fantasias e sua integração através de trabalhos interiores favorece a sua progressão até uma realização mais ou menos completa da pessoa.

    Função Intuição: Uma das quatro funções psíquicas de acordo com o modelo Junguiano. A intuição é a percepção através do inconsciente, i.e., percepção de conteúdos, conclusões e possibilidades futuras cuja origem é desconhecida ou obscura. Contrária da função sensação esta função se importa ou se liga ao que está por trás da coisas, ela vai além dos fatos, sentimentos e idéias, e constrói modelos elaborados da realidade. Responde-nos de onde vem e para onde vai algo. Nos diz das possibilidades das coisas. É uma função irracional.

    Função Pensamento: Uma das quatro funções psíquicas de acordo com o modelo Junguiano. É a compreensão intelectual da natureza, do mundo e de si mesmo. Responde à pergunta: "o que é?". É a capacidade racional de estruturação e sintetização de dados por meio de categorias e generalizações conceituais. A pessoa entra em contato com o mundo por meio de definições e identificações das coisas. É considerada uma função racional.

    É o processo mental de interpretar o que é percebido. (Compare sentimento.)

    No modelo de tipologia de Jung, pensar é uma das quatro funções usadas para orientação psicológica. Junto com sentir, o pensamento é uma função racional. Se pensar é a função principal ou primária, enquanto sentir então é automaticamente a função inferior.

    Como um processo de apercepção, o pensar podem ser ativo ou passivo.

    Pensamento ativo é um ato da vontade, pensamento passivo é uma mera ocorrência. No caso anterior, eu submeto os conteúdos da idéia a um ato voluntário de julgamento; nas conexões posteriores, conceituais eles se estabelecem de próprio acordo, e são formados julgamentos que pode contradizer até mesmo minha intenção...o pensamento ativo corresponderia ao meu conceito de pensamento direcionado. Pensamento passivo...eu chamaria de....pensamento intuitivo. ["Definições"ibid., par. 830]

    A capacidade para o pensamento direcionado eu chamo de intelecto, a capacidade para o pensamento não-derecionado ou passivo eu chamo de intuição intelectual. [Ibid., par. 832.]

    Função Principal ou Superior: É a função mais desenvolvida e diferenciada das funções psicológicas de uma pessoa. É o "jeitão" da pessoa, como ela se apresenta e se relaciona com o mundo. Ela é sempre a expressão da personalidade consciente, de seus objetivos, vontades, atuações em geral; distinto das funções menos diferenciadas que ficam dentro da categoria das coisas que simplesmente "acontece" às pessoas.

    Função Sensação: Uma das quatro funções psíquicas de acordo com o modelo Junguiano. Numa posição oposta à intuição, esta função age de acordo com o que eu chamo de "realidade imediata", com o que se apresenta diante dela. O que importa é o que está aqui, agora diante dela onde ela pode ver, sentir, cheirar, tocar; ou seja se relacionar diretamente. Por isto esta função é uma função irracional que percebe e se adapta à realidade externa por meio dos sentidos físicos.

    Função Sentimento: Uma das quatro funções psíquicas de acordo com o modelo Junguiano. É uma função que avalia e julga. Sentimento não pode ser confundido com emoção, que resulta da ativação de um complexo e pode ser mais apropriadamente chamada de afeto. Se encontra na polaridade oposta à função pensamento. É a função valorativa. Um processo que se realiza entre o eu e um dado conteúdo, um processo que atribui ao conteúdo um valor definido no sentido de aceitação ou rejeição (prazer ou desprazer). É também uma espécie de julgamento que visa a uma aceitação ou rejeição subjetivas, e distingue-se do julgamento intelectual (função pensamento), o qual visa ao estabelecimento de relações conceituais. Provoca repulsa ou atração em diversos níveis. É uma função racional.

    Função Superior: Ver Funcão Principal

    Função Transcendente: É o "terceiro" reconciliador que emerge do inconsciente (na forma de um símbolo ou uma nova atitude) depois dos opostos conflitivos terem sido conscientemente diferenciados e a tensão entre eles controlada. Uma função psíquica que surge da tensão entre a consciência e o inconsciente e sustenta a união deles. (Ver opostos e tertium non datur.)

    Quando há uma paridade completa dos opostos, atestada por uma participação absoluta do ego em ambos, isto necessariamente leva à suspensão da vontade, pois a vontade não pode mais operar quando todos os motivos forem igualmente fortes aos contra-motivos. Desde que a vida não pode tolerar uma paralização, pois isto resulta em um estancamento da energia vital, e isso nos levaria à uma condição insuportável se a tensão entre os opostos não produzisse uma nova função unificadora que os transcendesse.Esta função surge naturalmente da regressão da libido causada pelo bloqueio. [Ibid., par. 824.]

    As tendências da consciência e do inconsciente são os dois fatores que juntos formarão a função transcendente. Ela é chamada de "transcendente"porque é ela que faz a transição de uma atitude para outra organicamente possível. [The Transcendent Function," CW 8, par. 145.]

    Em uma situação de conflito, ou um estado de depressão pelo qual não há nenhum motivo aparente, o desenvolvimento da função transcendente depende de torna o material inconsciente, consciente. Isto é mais observável nos sonhos, mas pelo fato deles serem difíceis de compreensão Jung considerou mais proveitoso o método da Imaginação Ativa de dar "forma"aos sonhos, fantasias, etc.,

    A partir do momento em que um conteúdo inconsciente toma forma e o significado da formulação é compreendida, surge a questão de como o ego se relacionará com esta posição, e como o ego e o inconsciente se entenderão. Este é o segundo e mais importante estágio do procedimento, a unificação dos opostos para se produzir um terceiro: a função transcendente. Neste estágio, não é mais o inconsciente que toma a frente, mas o ego.[Ibid., par. 181.]

    Este processo requer um ego que possa manter sua postura diante da contra-posição inconsciente. Ambos possuem igual valor. O confronto entre os dois gera uma tensão carregada com energia e cria uma terceira essência atuante.

    Da atividade inconsciente agora surge um conteúdo novo, constelado em tese e antítese de igual medida e adotando uma posição de relação compensatória a ambos. Assim forma o meio de campo onde os opostos podem ser unificados. Se, por exemplo, nós concebemos que a oposição é sensualidade versus espiritualidade, então o conteúdo mediador nascido fora do inconsciente fornece meios de expressão de boas vindas para a tese espiritual, por causa de suas associações espirituais ricas, e também por causa da antítese sensual, por causa de suas imagens sensuais. O ego, entretanto, rachado entre tese e antítese, encontra um caminho do meio de sua própria parte, seu próprio e único meio de expressão, e rapidamente se agarra a esta nova ordem a ser entregue a partir de sua divisão. ["Definições," CW 6, par. 825.]

    A função transcendente é essencialmente um aspecto da auto-regulação da psique. Ela tipicamente manifesta simbolicamente e é experienciada como uma nova atitude em direção à pessoa e à vida.

    Funções Psicológicas: São formas de adaptação psíquica ou de adequação ao mundo. É uma forma de manifestação da libido (energia psíquica). que de acordo com o modelo dos Tipos Psicológicos de Jung, são: Pensamento, Sentimento, Sensação e Intuição. Embora todas as pessoas possuam as quatro funções, elas não são desenvolvidas de modo igual. A sensação nos diz que alguma coisa existe; o pensamento mostra-nos o que é esta coisa; o sentimento revela se ela é agradável ou não; e a intuição dir-nos-á de onde vem e para onde vai.

    Funções Irracionais: Conceito empregado não no sentido de anti-racional, mas de extra-racional, isto é, o que não se pode fundamentar com a razão. A plena explicação racional de um objeto realmente existente (e não apenas suposto) é uma utopia. Só um objeto que foi suposto pode ter explicação plena, pois nada existe além do que foi suposto pelo pensar racional. A intuição e a sensação são funções psicológicas que devem estar abertas à casualidade e a qualquer possibilidade; por isso não devem ter qualquer direção racional.

    Funções Racionais: Fazem uso da capacidade racional de estruturação e sintetização de dados, do juízo, da abstração e da generalização conceitual organizando tudo em categorias.

    Herói: Motivo arquetípico baseado na superação de obstáculos e conquista de determinados objetivos. A principal façanha do herói é ter superado o monstro e a escuridão, e como imagem arquetípica se apresenta empiricamente como a soma total de todos os arquétipos incluindo o arquétipo paterno e do velho sábio.

    Mitologicamente o herói é aquele que conquista o dragão, a princesa, o anel, o ovo de ouro, o elixir da vida, etc. Psicologicamente estes são metáforas para os sentimentos verdadeiros e o potencial único de alguém. No processo de individuação a tarefa do herói é assimilar os conteúdos inconscientes em vez de ser sobrepujado por eles.

    Histeria: Um estado de espírito marcado por uma exagerada afinidade com pessoas nas proximidades e um ajustamento falso às condições presentes. Jung dizia que a histeria era a neurose mais freqüente do tipo extrovertido...uma tendência constante de se fazer interessante e de produzir uma boa impressão. Como resultado está sua sugestibilidade proverbial e sua inclinação à influência dos outros. Outro sinal indiscutível é seu sentimentalismo que sempre o leva às raias da fantasia.

    Identificação: Um alheiamento do sujeito em favor de um objeto, de cujas características, o sujeito se reveste.sujeito e objeto. A identidade é responsável pela presunção ingênua de que os mesmos motivos acontecem em todo lugar, de que as coisa que eu concordo são obviamente agradáveis para as outras pessoas e o que eu acho imoral é igualmente imoral para os outros, e assim por diante. E o mais importante, o que eu tento corrigir nos outros é quase que cem por cento o que eu mais preciso corrigir em mim mesmo.

    A identificação com um complexo (possessão) é uma fonte freqüente de neurose. Também é possível se identificar com uma idéia ou crença em particular.

    A unilateralidade normalmente ocorre por causa da identificação com uma atitude consciente em particular podendo resultar na perda de contato com os poderes compensatórios do inconsciente. Ver participation mystique.

    Imagem Arquetípica: A forma ou representação de um arquétipo na consciência.. ( Ver Inconsciente Coletivo).

    Estas imagens são padrões universais ou motivos que se originam do inconsciente coletivo e que formam os conteúdos básicos das religiões, mitologias, lendas e contos de fadas. Elas também emergem do inconsciente coletivo através dos sonhos e visões. O encontro com uma imagem arquetípica evoca uma reação emocional forte nos levando a uma sensação de divino ou poder transpessoal que transcende o ego.

    Jung afirma que estas "imagens primordiais" se originam de uma constante repetição de uma mesma experiência, durante muitas gerações. Funcionam como centros autônomos que tendem a produzir, em cada geração, a repetição e a elaboração dessas mesmas experiências. Eles se encontram isolados uns dos outros, embora possam se interpenetrar e se misturar. O núcleo de um complexo pode ser um arquétipo que atrai experiências relacionadas ao seu tema. Ele poderá, então, tornar-se consciente por meio destas experiências associadas. Os arquétipos da Morte, do Herói, de Deus, da Grande Mãe e do Velho Sábio são exemplos de algumas das numerosas imagens primordiais existentes no inconsciente coletivo. Embora todos os arquétipos possam ser considerados como sistemas dinâmicos autônomos, alguns deles evoluíram tão profundamente que se pode justificar seu tratamento como sistemas separados da personalidade. São eles: a persona, a anima, o animus e a sombra. Chamamos de instinto aos impulsos fisiológicos percebidos pelos sentidos. Mas, ao mesmo tempo, estes instintos podem também manifestar-se como fantasias e revelar, muitas vezes, a sua presença apenas através de imagens simbólicas. São estas manifestações que revelam a presença dos arquétipos, os quais as norteiam. A sua origem não é conhecida; e eles se repetem em qualquer época e em qualquer lugar do mundo - mesmo onde não é possível explicar a sua transmissão por descendência direta ou por "fecundações cruzadas" resultantes da migração.

    Imagem Primordial: Ver imagem arquetípica.

    Imaginação Ativa: Método de assimilação de conteúdos do inconsciente [sonhos, fantasias, etc.] onde estes se investem espontaneamente através de uma forma de auto-expressão (Ver função transcendente) nas várias personificações (pessoas conhecidas e desconhecidas, animais, plantas, lugares, acontecimentos, etc). Nas palavras de Robert Johnson ( "Innerwork - A chave do reino interior". 1ª edição, Ed. Mercuryo, 1989, São Paulo, p. 154) "(...) é um diálogo que travamos com as diferentes partes de nós mesmos que vivem no inconsciente". Ela consiste em relacionarmo-nos com nossos sentimentos, pensamentos, atitudes e emoções através dos vários personagens que aparecem em nossos sonhos e interagir ativamente com eles, isto é, discordando, quando for o caso, opinando, questionando e até tomando providências com relação ao que é tratado, isso tudo pela imaginação.

    O objeto da imaginação ativa é dar voz aos lados da personalidade (em particular a Sizígia [animus/anima] e a sombra) que normalmente não são ouvidas, estabelecendo assim uma linha de comunicação entre a consciência e o inconsciente.

    O primeiro estágio da Imaginação Ativa é como um sonho de olhos abertos que pode acontecer tanto espontaneamente como produzida artificialmente.`Você escolhe uma imagem onírica ou de uma fantasia e se concentra nela. O simples fato de se concentrar nela faz com que ela se altere. Estas alterações deve ser anotadas pois refletem os processos psíquicos inconscientes que se expressam na forma de imagens carregadas de um material de memória consciente.

    O segundo estágio vai além da simples observação das imagens e consiste em tomar parte ativa nelas fazendo uma avaliação honesta do que elas representam. Desta forma você se coloca como parte do drama psíquico como se você fizesse parte das figuras ou ainda como se o drama que está sendo performado fosse realidade.

    Quando não sabemos, p. ex., porque uma figura onírica agiu de forma violenta para conosco, podemos recriar através da Imaginação Ativa e recordarmos do sonho até esta parte em particular e a partir daí questionar o personagem das razões do seu comportamento para conosco. Nesse momento devemos ter o cuidado de deixarmos que a figura "diga" o que vier à sua cabeça. Você terá a sensação de que está inventando tudo, mas isso não importa e nem altera o efeito real da prática da Imaginação Ativa, o que você poderá verificar após a conclusão de qualquer trabalho interior. Difere da fantasia passiva porque nesta não atuamos no quadro mental, de forma a participarmos do drama vivenciado, mas apenas nos contentamos em assistir o desenrolar do roteiro desconhecido, muitas vezes sofrendo involuntariamente, sem proveito algum, e o que é pior, sem que venhamos a conhecer o que há por trás. A Imaginação Ativa pode ser aplicada também quando estamos fortemente influenciados por uma emoção. Neste caso, tratamos de personificarmos a emoção vivenciada para interação do modo como descrito acima.

    Imagem primordial: Ver arquétipo e imagem arquetípica.

    Incesto: Psicologicamente é a ânsia regressiva pela segurança da infância e juventude. Jung interpretava as imagens de incesto nos sonhos não de forma concreta mas simbolicamente indicando a necessidade de uma nova adaptação. Esta idéia foi uma das causa de sua ruptura com Freud.

    Inconsciente: A totalidade de todo fenômeno psíquico onde falta a qualidade consciente. (Ver também inconsciente coletivo e inconsciente pessoal.)

    O inconsciente... é a fonte de forças instintuais da psique e das formas e categorias que as regulam, ou seja, os arquétipos. [a Estrutura da Psique," CW 8, par. 342.]

    O conceito de inconsciente é para mim um conceito exclusivamente psicológico, e não um conceito filosófico de uma natureza metafísica. Na minha visão, o inconsciente é um conceito fronteiriço psicológico, que cobre todos os conteúdos ou processos psíquicos que não são conscientes, i.e., não relacionados com o ego de forma perceptível.Minha justificativa para falar da existência de processos inconscientes deriva única e simplesmente da experiência. [Definições," CW 6, par. 837.]

    O inconsciente é vasto e inexaurível. Não é simplesmente o desconhecido ou o repositório de pensamentos e emoções conscientes que foram reprimidos, mas inclui conteúdos que podem ser ou se tornarão conscientes.

    Assim definido, o inconsciente descreve um estado de ânimos extremamente fluídos: tudo o que eu sei, mas que não estou pensando no momento; tudo que eu uma vez soube mas que agora me esqueci; tudo percebido pelos meus sentidos, mas não percebido por minha mente consciente; tudo que, involuntariamente e sem prestar muita atenção, eu sinto, penso, lembro,quero, e faço; todas as coisas futuras que estão tomando forma em mim e que em alguma época virão à consciência: tudo isto é conteúdo do inconsciente.[Sobre a Natureza da Psique," CW 8, par. 382.]

    O inconsciente também contém funções "psicóides" que não são capazes de consciência e que temos somente um conhecimento indireto delas, tais como a relação entre matéria e espírito.

    Jung atribuía ao inconsciente uma função criativa. Esta, entretanto, não é superior à consciência.

    Inconsciente Coletivo: Uma camada estrutural da psique humana que contém elementos herdados, distintos daqueles do inconsciente pessoal. Nas palavras de jung " o inconsciente coletivo contém toda a herança espiritual da evolução da raça humana que eclode de novo na estrutura cerebral de todo indivíduo". Sua teoria do inconsciente coletivo surge da observância dos fenômenos psicológicos que surgem em todos os lugares e não podem ser explicados com base na experiência pessoal. Jung distingue duas camadas do inconsciente: o inconsciente pessoal que se deriva das experiências próprias da pessoa e o inconsciente coletivo, uma estrutura herdada comum a toda a humanidade, contendo padrões e imagens universais ( que existem independentemente de credo, cultura, raça ou qualquer outro fator) chamados de arquétipos ou representações simbólicas específicas ou imagens arquetípicas. É a camada mais profunda do inconsciente que normalmente se encontra inacessível à consciência comum. É de natureza supranormal, universal e não-individual. Estes conteúdos quando se manifestam são experienciados como estranhos ao ego, como algo numinoso ou divino. Ver também imagens arquetípicas.

    Inconsciente Pessoal ou Individual: A camada pessoal do inconsciente, distinta do inconsciente coletivo. É aquela porção da psique que se encontra fora do campo da consciência. Para Jung o inconsciente pessoal contém memórias perdidas, idéias dolorosas que são reprimidas (esquecidas por conveniência), percepções subliminares ou percepções sensoriais que não foram fortes o suficiente para alcançar a consciência, e finalmente, conteúdos que ainda não amadureceram para a consciência. O inconsciente se expressa por meio de sonhos, fantasias, preocupações obssessivas, falhas de linguagem e acidentes de todos os tipos.

    Individuação: Processo de diferenciação psicológica tendo como objetivo o desenvolvimento da personalidade individual.Possui dois aspectos básicos que são: o processo interno e subjetivo de integração e o igualmente indispensável processo de relacionamento objetivo. É a realização e compleção consciente da unicidade de um ser. Está associada à formação de imagens arquetípicas e nos leva a experienciar o Self como o centro da personalidade, transcendendo o ego. Normalmente ela se inicia com uma ou mais experiências decisivas que desafiam nosso egocentrismo, produzindo a consciência de que o ego está subordinado a uma entidade psíquica mais compreensiva. É uma longa série de transformações psicológicas que culminam na integração de tendências e funções opostas, e na realização da totalidade. Como leitura complementar ver "Individuação - uma prospecção a novos paradigmas."

    Inflação: Um estado psíquico caracterizado por um sentimento exagerado ou irreal de si mesmo. É causado pela identificação do ego com alguma imagem arquetípica. A inflação pode ser tanto positiva quanto negativa e é um sinal de possessão indicando uma necessidade de assimilar complexos inconscientes. Uma consciência inflada é sempre egocêntrica e consciente somente de sua própria existência como resultado de uma tomada de muitos conteúdos inconscientes sobre si mesmo ocasionando a perda da faculdade discriminatória que é uma condição sine qua non de toda consciência. Ver personalidade-mana

    Inflação Negativa: Uma baixa opinião irrealista de si mesmo devido à identificação com o lado negativo da sombra. Não importa quando um sentimento de inferioridade moral aparece, é uma indicação não só de uma necessidade para se assimilar um componente inconsciente, mas também uma possibilidade para tal assimilação.

    Instinto: Impulsos involuntários em direção a certas atividades. Para Jung é todo processo psíquico cuja energia não está sob um controle consciente é instintiva. Jung também identificou cinco grupos de fatores instintivos: criatividade, reflexão, atividade, sexualidade e fome. A Fome é um instinto primário de auto-preservação, talvez o mais fundamental de todos os impulsos. Sexualidade que torna possível o redirecionamento da energia biológica para outros canais. A compulsão à atividade se manifesta em viagens, mudanças de amor, inquietude. Sob a reflexão Jung incluiu a compulsão à religião e a busca de significado. Quanto à Criatividade Jung se referia principalmente ao impulso de criar arte. Ver também arquétipos e imagens arquetípicas.

    Introjeção: Processo de assimilação do objeto para o sujeito, é o oposto da projeção.

    Introspecção: Processo de reflexão que focaliza as reações, padrões de comportamento e atitudes pessoais. A diferença entre introspecção e introversão é que o último se refere à direção a qual a energia naturalmente se move, enquanto que o primeiro se refere ao auto-exame.

    Introversão: É um modo de funcionamento psíquico no qual o interesse, valor e significado se acham predominantemente na vida interior de um indivíduo; i.e., os valores são determinados amplamente por reações internas do sujeito. Jung propôs que a motivação do homem fosse entendida em termos de uma energia de vida criativa geral - a libido - capaz de ser investida em direções diferentes, assumindo grande variedade de formas. No caso do introvertido esta energia é dirigida para dentro; a forma de se entrar em contato com o mundo passa por maior atenção ao que ocorre internamente.

    Uma consciência introvertida pode estar bastante ciente das condições externas mas não é motivada por elas Comparar com extraversão.

    Irracional: Não fundada na razão. Pelo simples fato de pessoas do tipo irracional subordinarem seus julgamentos à percepção, não quer dizer que elas não sejam razoáveis. Seria mais apropriado dizer que elas se encontram no mais alto grau de empirismo pois elas se baseiam inteiramente na experiência. Compare com racional.

    Libido: Energia psíquica em geral. Esta visão Junguiana se distanciou por completo do conceito Freudiano que possui um significado predominantemente sexual. Interesse, atenção e impulso são todas, expressões da libido. A libido investida em um determinado item é indicada pela quantidade de sua "valor-carga", tanto positiva quanto negativa. Para Jung a libido denota um desejo ou impulso totalmente independente de qualquer autoridade ou moral. É o apetite em seu estado natural. Do ponto de vista genético é uma necessidade corpórea como a fome, sede, sono, e sexo e estados emocionais e afetos que constituem a essência da libido.

    Logos: O princípio da lógica e estrutura, tradicionalmente associado com o espírito, o pai do mundo e a imagem-Deus. Nos primeiros escritos de Jung ele equacionou a consciência masculina com o conceito de Logos e a consciência feminina de Eros. Por Logos ele queria dizer discriminação, julgamento, insight, e por Eros, a capacidade de relacionar. Ele dizia que estas eram idéias intuitivas que não podiam ser definidas exaustivamente e que sob o ponto de vista científico era lamentável mas que empiricamente tinha o seu valor, uma vez que os dois conceitos marcam um campo da experiência que é igualmente difícil de delinear. Mais tarde nos estudos sobre alquimia, Jung descreveu Logos e Eros com o psicologicamente equivalente à consciência solar e lunar.Ver também animus e Eros.

    Mandala: Sanscrito, "círculo mágico." Uma imagem arquetípica representando um contato com, ou um pressentimento do, Self. Uma mandala básica é um círculo com um quadrado ou uma outra estrutura partida em quatro superimposta. As mandalas são encontradas em produções culturais de todas as raças. Elas parecem representar um princípio integrador central no qual descansa o cerne da psique. Ver quaternidade e temenos.

    Nigredo: Termo alquímico que corresponde psicologicamente à desorientação mental que tipicamente surge no processo de assimilação de conteúdos inconscientes, particularmente aspectos da sombra. Conforme dizia Jung, o auto-conhecimento é uma aventura que nos leva a lugares inesperadamente longíguos e profundos. Até mesmo uma moderada compreensão da sombra pode nos causar uma boa confusão mental, uma vez que isto faz surgir problemas de personalidade que jamais se poderia imaginar. Por esta simples razão nós podemos compreender os alquimistas chamavam a sua melancolia nigredo, uma noite "de um "preto mais preto que o preto", uma aflição da alma, confusão, etc., ou mais explicitamente de "o corvo negro"....

    Nível Objetivo: Abordagem para se compreender o significado das imagens nos sonhos e fantasias por referências à pessoas ou situação no mundo externo. A intepretação de sonhos na Psicanálise é quase que inteiramente objetiva uma vez que os desejos dos sonhos se referem a objetos reais, ou a processos sexuais que caem dentro da esfera fisiológica, extra-psicológica.Jung apesar de ser o pioneiro em ensinar a interpretação de sonhos no nível subjetivo onde o significado simbólico era prioritário, ele também reconhecia o valor da abordagem objetiva. Ver também redutivo.

    Nível Subjetivo: A abordagem de sonhos e outras imagens onde pessoas ou situações são vistas como representações simbólicas de fatores que pertencem inteiramente à própria psique do sujeito. (Compare com Nível Objetivo)

    Interpretação de um produto inconsciente no nível subjetivo revela a presença de julgamentos subjetivos e tendências dos quais o objeto é feito o veículo. Então, quando um objeto-imago aparece em um produto inconsciente, o que conta não é a imagem de um objeto real; é mais provável que nós estejamos lidando com um complexo funcional subjetivo. A interpretação no nível subjetivo nos permite ter uma visão psicológica mais ampla, não só dos sonhos como também de trabalhos literários, onde as figuras indivíduais aparecem como complexos funcionais relativamente autônomos na psique do autor. [Definições, " CW 6, par.813.]

    No processo analítico, a tarefa principal depois da interpretação redutiva das imagens lançadas pelo inconsciente, é compreender o que elas dizem a respeito de quem as sonhou.

    Para estabelecer uma atitude realmente madura, ele tem que ver o valor subjetivo de todas estas imagens que parecem criar dificuldade para ele. Ele tem que os assimilar em sua própria psicologia; ele tem que descobrir de que modo elas são parte dele; como ele atribui um valor positivo por exemplo a um objeto, quando de fato é ele que pode e deveria desenvolver este valor. E da mesma maneira, quando ele projeta qualidades negativas e então odeia e detesta o objeto, ele tem que descobrir que ele está projetando o próprio lado inferior dele, a sombra dele, como seja, porque ele prefere ter uma imagem otimista e unilateral dele. [Definições, " CW 6, par.. 813.]

    Numinosum, numinoso: Termo usado primeiro por Rudolf Otto para descrever a experiência do divino como temerosa, assustadora e "totalmente alheia". Termo que descreve pessoas, coisas ou situações que possuem uma profunda ressonância emocional, psicologicamente associada com a experiência do self. Na psicologia analítica, ele é usado para descrever a experiência do ego em relação a um arquétipo, o Self em especial. Para Jung o numinosum é tanto uma qualidade que pertence a um objeto visível quanto a influência de uma presença invisível que causa uma alteração peculiar da consciência.

    Participation mystique: Termo derivado da antropologia referente a uma conecção ou identidade mística entre sujeito e objeto. Uma condição de identidade inconsciente, mágica entre o ego e os conteúdos do inconsciente. Ela se manifesta em uma conecção forte entre a pessoa e os outros (pessoas ou coisas) e é a base formadora da projeção. Consiste no fato da pessoa não mais conseguir se distinguir claramente do objeto se sentindo ligado à ele por uma relação direta que equivale a uma identidade parcial...Entre pessoas civilizada isto ocorre mais entre pessoas e muito raramente entre pessoas e objetos. Ver também arcaico, identificação e projeção.

    Pedra Filosofal: Termo usado na alquimia como uma metáfora para a transmutação bem sucedida do metal base em ouro; psicologicamente, um imagem arquetípica da totalidade. Ver coniunctio.

    Persona: Latim, "máscara do ator". Originalmente a persona significava a máscara usada pelos atores para indicar o papel que representavam. Neste nível a persona é tanto um escudo protetor quanto uma propriedade na mistura com os outros. São nossos aspectos ideais que normalmente apresentamos pata o mundo externo. É a face pública, parcialmente calculada, assumida pelo indivíduo em relação aos outros. A persona deriva das expectativas que a sociedade, a educação paterna e de nossos professores, nos impõem. É o papel que representamos na sociedade e que nos é útil tanto para nos facilitar um contato com o mundo quanto para nos proteger dos outros, mas de alguma forma é inibidora quando se identifica com ela. Conforme Jung a persona é um complexo funcional que vem a existir por razões de adaptação ou de conveniência pessoal. A persona é aquilo que na realidade não se é, mas que pensamos que somos.

    Personalidade: Aspectos da alma humana como se apresenta no mundo. Para o desenvolvimento da personalidade é essencial uma diferenciação dos valores coletivos, particularmente aqueles encorporados e aderidos pela persona.

    Personalidade-mana: Imagem personificada arquetípica de força sobrenatural. É uma dominante do inconsciente coletivo, o bem-conhecido arquétipo do homem poderoso na forma do herói, o chefe, o mago, o curandeiro, o santo, o governante dos homens e dos espíritos, o amigo de Deus. Historicamente ela envolve o herói e o ser divino cuja forma terrena é o sacerdote.

    Mana é um termo da Malásia que se refere às qualidade feiticeiras ou numinosas do deuses e objetos sagrados. Uma personalidade-mana encorpora estes poderes mágicos. Na psicologia Jung o usava para descrever o efeito inflatório da assimilação dos conteúdos inconscientes autônomos, particularmente aqueles associados à anima e ao animus.

    Personificação:Tendência dos conteúdos psíquicos ou complexos de assumir uma personalidade diferente à do ego. Jung nos diz que todos complexo autônomo possui uma particularidade de se apresentar como uma personalidade, i.e., de ser personificado.

    Possessão: Termo usado para se descrever a identificaáão da consciência com um conteúdo inconsciente ou complexo. As formas mais comuns de possessão são pela sombra e os complexos contra-sexuais, anima/animus.

    Para Jung um homem possuído pela sombra está sempre rendendo em sua própria luz e caindo em suas próprias armadilhas. A possessão causada pela anima ou animus as pessoas perdem seus charme e valores e os retém somente quando estão distantes de tudo, em um estado introvertido, quando eles servem de ponte para o inconsciente. Em direção ao mundo externo a anima é caprichosa, temperamental, descontrolada e emocional, às vezes abençoada com intuições demoníacas, cruel, maliciosa, mentirosa, desbocada, falsa e mística. O animus é obstinado, ligado à princípios, infrator de leis, dogmático, reformador do mundo, teórico, articulado, argumentativo e dominador. Ambos possuem mal gosto: a anima se cerca de pessoas inferiores e o animus se deixa levar por pensamentos de segunda categoria.

    Prima materia: Termo alquímico que significa 'matéria original', usado psicologicamente para denominar a fundação instintual da vida e a matéria crua que se trabalha em análise de sonhos, emoções, conflitos, etc..

    Primitivo: Descritivo da psique humana original ou indiferenciada. Jung usa este termo no sentio de 'primordial". Ver arcaico.

    Projeção: Processo automático onde os conteúdos do próprio inconsciente de uma pessoa são percebidos por outras. Um processo natural onde uma qualidade, característica ou talento inconsciente de si próprio é percebido e refletido em uma outra pessoa ou coisa. Para Jung a projeção significa a expulsão de um conteúdo subjetivo em um objeto, ou seja, um conteúdo subjetivo se torna alienado do objeto e é incorporado no objeto.É o oposto da introjeção.

    Projeção não é um processo consciente. Nós nos encontramos com as projeção, não as fazemos. Desta forma podemos criar relacionamentos imaginários que frequentemente ou quase nunca tem alguma coisa a ver com o mundo externo. Ver arcaico, identificação e participation mystique.

    Psicose: Dissociação extrema da personalidade. Como a neurose, uma condição psicótica é devido à atividade de complexos inconscientes e o fenômeno de divisão. Na neurose, os complexos são somente relativamente autônomos. Na psicose, eles são completamente desconectados da consciência.

    Ter complexos é normal; mas se os complexos são incompatíveis, aquela parte da personalidade que também está contrária à consciência se torna excluída. Se esses excluídos alcançam a estrutura orgânica, a dissociação é uma psicose, uma condição esquizofrênica, como denota o termo. Cada complexo então vive uma existência por conta própria, sem personalidade para colocar tudo junto de novo. [" O Tavistock Lectures, " CW 18, par. 382.]

    [Na esquizofrenia] as figuras excluídas assumem nomes e caráter banal, grotesco, ou altamente exagerado, e são freqüentemente censuráveis de muitos outros modos. Além disso, elas não co-operam com a consciência do paciente. Elas não são diplomáticas e nem têm nenhum respeito por valores sentimentais. Pelo contrário, elas arrombam e criam uma perturbação a qualquer hora, elas atormentam o ego de várias maneiras; tudo é censurável e chocante, tanto em seus comportamentos ruidosos e impertinentes quanto na crueldade grotesca e obscenidade. Há uns caos aparente de visões incoerentes, vozes, e personagens, todos de uma natureza devastadoramente estranha e incompreensível. [No Psychogenesis de Esquizofrenia, CW 3, par. 508.]

    Jung acreditou que muitas psicoses, e particularmente a esquizofrenia, era psicogênica, enquanto um resultado de um abaissement du niveau mental e um ego muito fraco para resistir ao ataque dos conteúdos inconscientes. Ele reservou um julgamento quanto à questão se os fatores biológicos eram uma causa contribuinte.

    Psique: A totalidade de todos os processos psicológicos, tanto conscientes quanto inconscientes.

    Psique Objetiva: O mesmo que Inconsciente Coletivo.

    Psique Subjetiva: Ver inconsciente pessoal.

    Puer Aeternus: Termo Latim para'"criança eterna", usado na mitologia para designar uma criança-deus que é eternamente criança. Psicologicamente ele se refere à um homem mais velho cuja vida emocional permaneceu no nível da adolescência, conjugado normalmente com uma grande dependência da mãe. [O TERMO PUELLA É USADO QUANDO SE REFERE À UMA MULHER.]

    O puer conduz a uma vida provisória, devido ao medo de ser pego em uma situação da qual poderia não ser possível escapar. O seu motivo raramente é o que ele realmente quer e seus planos para o futuro se desfazem em fantasias do que será, do que poderia ser, enquanto nenhuma ação decisiva é tomada para mudar as coisas. Ele deseja independência e liberdade, e tende a achar qualquer restrição intolerável.

    [O mundo] faz demandas na masculinidade de um homem, em sua energia, acima de tudo em suas coragem dele e resolução. Para isto ele precisaria de um Eros incrédulo, um capaz de esquecer de sua própria mãe e sofrer a dor de renunciar ao primeiro amor de sua vida.[A Sizígia: Anima e Animus, " CW 9ii, par. 22.]

    Sintomas comuns na psicologia do puer são sonhos de aprisionamento e imagens semelhantes: cadeias, barras, gaiolas, armadilhas, escravidão. A própria vida, a realidade existencial, é experenciada como uma prisão. As barras são laços inconscientes para o mundo desinibido da vida de criança.

    A sombra do puer é o senex ( latim para " homem velho"), associado com o deus Apollo - disciplinado, controlado, responsável, racional, ordenado. Reciprocamente, a sombra do senex é o puer, relacionado a Dionysus - ilimitado, instinto, desordem, intoxicação, capricho.

    A " criança " eterna em um homem é uma experiência indescritível, uma incongruência, um impedimento, e uma prerrogativa divina; um imponderável que determina o último valor ou falta de valor de uma personalidade. [A Psicologia do Arquétipo da Criança, " CW 9i, par. 300.]

    Quaternidade: O arquétipo da quaternidade simboliza a totalidade. Está intimamente associada com representações do Self. É uma imagem com uma estrutura de quatro facetas, normalmente quadrada ou circular e simétrica; psicologicamente, aponta à idéia de inteireza. (Também veja Temenos.)

    A quaternidade é um dos arquétipos mais difundidos e tem também provado ser um esquema muito útil por representar o arranjo das funções pelas quais a mente consciente leva seus comportamentos.[Veja abaixo,Tipologia.] Como o círculo, como símbolo da perfeição e do ser perfeito, é uma expressão difundida para céu, sol, e Deus; e também expressa a imagem primordial do homem e da alma. [" A Psicologia da Transferência, " CW 16, par. 405.] Como o círculo, como símbolo da perfeição e do ser perfeito, é uma expressão difundida para céu, sol, e Deus; e também expressa a imagem primordial do homem e da alma. [" A Psicologia da Transferência, " CW 16, par. 405.]

    Jung acreditava que a produção espontânea de imagens quaternárias (inclusive mandalas), se conscientemente ou em sonhos e fantasias, pode indicar a capacidade do ego para assimilar o material inconsciente. Mas elas também podem ser essencialmente apotropaicas, uma tentativa da psique para impedir de se desintegrar.

    Estas imagens são naturalmente só antecipações de uma inteireza que está, em princípio, sempre além de nosso alcance. Também, elas invariavelmente não indicam uma prontidão subliminar por parte do paciente para perceber aquela inteireza conscientemente, em uma fase posterior; freqüentemente elas querem dizer nada mais que uma compensação temporária da confusão caótica.[A Psicologia da Transferência, " CW 16, par. 536.]

    Quarta Função: Ver função inferior.

    Racional: Descritivo de pensamentos, sentimentos e ações que outorgam com razão, uma atitude baseada em valores objetivos estabelecidos pela experiência prática. (Compare irracional.)

    A atitude racional que nos permite declarar valores objetivos como válido nada não é uma questão individual, mas o produto de história humana.

    A maioria dos valores objetivos- e a própria razão - são complexos, firmemente establelecidos, de idéias passadas ao longo de nossas vidas.... Assim as leis da razão são as leis que designam e governam a atitude comum, adaptada. Tudo é " racional " quando está de acordo como essas leis, e tudo o que as infringe é " irracional ".[Definições, " ibid., par. 785f.]

    Jung descreveu as funções psicológicas de pensar e sentir como racionais porque elas são influenciadas decisivamente através de reflexão.

    Redutivo: Literalmente, " que leva para trás, " descritivo de interpretações de sonhos e neurose em termos de eventos na vida exterior, particularmente aqueles da infância. (Compare com construtivo e final.)

    O método redutivo é orientado para trás, em contraste com o método construtivo. . . . Os métodos de interpretativos tanto de Freud quanto de Adler são redutivos, uma vez que em ambos há uma redução aos processos elementares de desejar ou se esforçar, que são em último recurso de uma natureza infantil ou fisiológica. [Definições, " CW 6, par. 788.]

    Na interpretação de sonhos, o método redutivo (também chamado de mecanicista) busca explicar imagens de pessoas e situações em termos da realidade concreta. A abordagem construtiva ou final foca nos conteúdos simbólicos dos sonhos.

    Embora o próprio Jung tenha se concentrado na abordagem construtiva, ele considerou a análise redutiva como um importante primeiro passo no tratamento de problemas psicológicos, particularmente na primeira metade da vida.

    As neuroses dos jovens geralmente se formam de uma colisão entre forças da realidade e uma atitude inadequada, infantil que do ponto de vista causal são caracterizadas por uma dependência anormal nos pais reais ou imaginários pais, e do ponto de vista de teleológico, por ficções, planos, e aspirações irrealizáveis. Aqui os métodos redutivos de Freud e Adler estão completamente em seu lugar. [O Problema do tipo-Atitude, " CW 7, par. 88.]

    Self: O arquétipo da totalidade e o centro regulador da psique. É comumente simbolizado pela mandala ou em uma união paradoxa de opostos. O Self é experienciado como um poder transpessoal, numinoso que transcende e sobrepuja o ego. Empiricamente ele é semelhante à imagem de Deus.

    Como um conceito empírico, o self designa toda a gama de fenômenos psíquicos no homem. Expressa a unidade da personalidade como um todo. O self cerca o experienciável e o inexperienciável (ou o que contudo não foi experimentado). . . . É um conceito transcendental, pois ele pressupõe a existência de fatores inconscientes sob uma perspectiva empírica e assim caracteriza uma entidade que só pode ser descrita em parte. [" Definições, " CW 6, par. 789.]

    O self não só é o centro, mas também a circunferência inteira que abraça a consciência e o inconsciente; é o centro desta totalidade, da mesma maneira que o ego é o centro de consciência. [" Introdução, " CW 12, par. 44.]

    Como qualquer arquétipo, a natureza essencial do ego é desconhecida, mas suas manifestações são o conteúdo de mitos e lendas

    O self aparece em sonhos, mitos, e contos de fadas na figura de uma " personalidade supra-ordenada, " como um rei, o herói, profeta, salvador, etc., ou na forma de um símbolo de totalidade, como o círculo, aa cruz, o quadrado, circuli quadratura, etc. Quando representa um complexio oppositorum, uma união de opostos, pode também aparecer como uma dualidade unida, na forma, por exemplo, do tao como o interplay de yang e yin, ou dos irmãos hostis, ou do herói e o adversário dele (arqueinimigo, dragão), Faust e Mephistopheles, etc. Empiricamente, então, o self aparece como um jogo de luz e sombras, embora concebido como uma totalidade e unidade nas quais os opostos estão unidos.[Definições, " CW 6, par. 790.]

    A realização do self ego como um fator psíquico autônomo é estimulada freqüentemente pela a erupção de conteúdos inconscientes sobre os quais o ego não tem nenhum controle. Isto pode resultar em neurose e em uma renovação subseqüente da personalidade, ou em uma identificação inflada com um poder maior.

    Experiências do self possuem uma característica numinosa de revelações religiosas. Conseqüentemente Jung acreditava que não havia nenhuma diferença essencial entre o self como uma realidade experiencial, psicológica e o conceito tradicional de uma deidade suprema. Isso poderia ser chamado de " Deus dentro de nós ". [A Mana-personalidade, " CW 7, par. 399.

    Símbolo: A melhor expressão possível para algo que é essencialmente desconhecido. O pensamento simbólico não-linear é holístico, de orientação do hemisfério direito do cérebro e é complementar ao pensamento do hemisfério esquerdo linear e lógico.

    Toda expressão psicológica é um símbolo se nós assumirmos que declara ou significa algo mais e diferente de si mesmo que ilude nosso conhecimento presente. [Definições, CW 6, par. 817.]

    Jung fêz uma distinção entre um símbolo e um sinal. Por exemplo, Insígnia em uniformes não são símbolos mas sinais que identificam que a veste. Lidar com material inconsciente (sonhos, fantasias, etc.), as imagens podem ser interpretadas semioticamente, como sinais sintomáticos que apontam a fatos conhecidos ou conhecíveis, ou simbolicamente, ao expressar algo essencialmente desconhecido.

    A interpretação da cruz como um símbolo de amor divino é sematológica, porque " amor divino" descreve o fato a ser expressado melhor e mais habilmente que uma cruz, que pode ter muitos outros significados. Por outro lado, uma interpretação da cruz é simbólica quando põe a cruz além de todas as explicações concebíveis, no que concerne à expressão de um objeto desconhecido ou um fato de natureza mística ou transcendente, i.e., psicológica, que simplesmente se acha adequadamente representada na cruz. [Ibid., paridade. 815.]

    Se algo é interpretado como um símbolo ou um sinal depende principalmente da atitude do observador. Jung uniu as abordagens sematológicas e simbólicas, respectivamente, para os pontos de vista causais e finais. Ele reconheceu a importância de ambos.

    Desenvolvimento psíquico não pode ser realizado através de intenção e desejos; precisa da atração do símbolo cujo quantum de valor excede ao da causa. Mas a formação de um símbolo não pode acontecer até a mente ter lidado bastante tempo com fatos elementares, quer dizer que até as necessidades internas ou exteriores do processo de vida tenham provocado uma transformação de energia . [Energia, " CW 8, paridade. 47.]

    A atitude simbólica é com certeza construtiva, e com isso ela dá prioridade para se entender o significado ou propósito de fenômenos psicológicos, em lugar de buscar uma explicação redutiva.

    Há, claro, neuróticos que consideram os produtos inconscientes deles/delas, que são sintomas principalmente mórbidos, como símbolos de importância suprema. Porém, geralmente isto não é o que acontece. Pelo contrário, o neurótico de hoje só é muito propenso para considerar um produto que possa estar, de fato, cheio de significação como um mero " sintoma".[Definições, CW 6, paridade. 821.]

    O interesse primário de Jung em símbolos está na habilidade deles transformarem e redirecionarem a energia instintiva.

    Como podemos explicar processos religiosos, por exemplo, cuja natureza é essencialmente simbólica? De forma abstrata, símbolos são idéias religiosas; na forma de ação, elas são rito ou cerimônias. Elas são a manifestação e expressão do excesso de libido. Ao mesmo tempo eles são o caminho para novas atividades que devem ser chamadas de culturais para os distinguir das funções instintuais que fazem seus curso regular de acordo com lei natural. [" Em Energia Psíquica, " CW 8, par. 91.]

    A formação de símbolos acontece o tempo tod dentro da psique, aparecendo em fantasias e sonhos. Em análise, depois que as explicações redutivas foram exauridas, a formação de símbolos é reforçada pela abordagem construtiva.O objetivo é tornar a energia instintiva disponível para um trabalho significativo e uma vida produtiva.

    Si-mesmo: O mesmo que Self.

    Sincronicidade: Termo cunhado por Jung para um "princípio de conecção acausal"para explicar a ocorrência de uma coincidência significativa, i.e., um acontecimento psíquico interno (sonho, visão,premonição) é acompanhado por um evento físico externo que pode estar conectado ao primeiro sem ser por uma relação causal. Ou seja, um acontecimento interno e um evento externo que criam uma sensação de coincidência significativa mas que um não é causa do outro.

    Sincronicidade. . . consiste em dois fatores: a) Uma imagem inconsciente vem à consciência tanto diretamente (i.e., literalmente) ou indiretamente (simbolizada ou sugerida) na forma de um sonho, idéia, ou premonição. b) Uma situação objetiva coincide com este conteúdo. A pessoa está tão confusa quanto a outra. [Sincronicidade: Um Princípio Acausal de Conecção, " ibid., par. 858.]

    Jung associou experiências de Sincronicidade com a relatividade de espaço e tempo e um certo grau de inconsciência.

    Os aspectos muito diversos e confusos destes fenômenos são, pelo que eu posso ver no momento, completamente explicáveis na suposição de uma quantidade contínua de espaço-tempo psiquicamente relativa. Assim que os conteúdos psíquicos cruzam o limiar de consciência, os fenômenos sincronisticos marginais desaparecem, tempo e espaço assumem seus equilíbrio costumeiro, e a consciência fica mais uma vez isolada em sua subjetividade. . . . Reciprocamente, fenômenos sincronisticos podem ser evocados pondo o assunto em um estado inconsciente.[Sobre a Natureza da Psique, " CW 8, paridade. 440.]

    Não só é possível mas bastante provável, que psique e matéria são dois aspectos diferentes de uma única e mesma coisa. Os fenômenos de Sincronicidade apontam, parece a mim, nesta direção, porque eles mostram que o não-psíquico podem se comportar como o psíquico, e vice-versa, sem que haja alguma conexão causal entre eles. [Ibid., par. 418.]

    Sintético: Ver construtivo

    Sonhos: Manifestações espontâneas e independentes do inconsciente; fragmentos de uma atividade psíquica involuntária consciente somente o suficiente para serem reprodutíveis durante o estado de vigília.

    Os sonhos não são fabricações deliberadas e nem arbitrárias; eles são fenômenos naturais que nada diferem do que pretendem ser. Eles não enganam, não mentem, não distorcem ou disfarçam... Eles estão invariavelmente procurando se expressar algo que o ego não sabe e não compreende.["Psicologia Analítica e Educação," CW 17, par. 189.]

    De forma simbólica, os sonhos expressam uma situação atual na psique a partir de um ponto de vista do inconsciente.

    Desde que o significado da maioria dos sonhos não está de acordo com as tendência da mente consciente e nos mostra divergências peculiares, nós devemos assumir que o inconsciente, a matrix dos sonhos, tem uma função independente. É a isto que eu chamo de autonomia dos sonhos. Os sonhos não só não obedecem os nossos desejos como muito frequentemente se levanta em oposição flagrante às nossas intenções conscientes. ["Sobre a Natureza dos Sonhos," CW 8, par. 545.]

    Jung reconheceu que em alguns casos os sonhos têm uma função de satisfação de desejos e uma função de preservação do sono (Freud) ou revelam um esforço infantil por poder (Adler), mas ele focou sua atenção no conteúdo simbólico deles e no papel compensatório na auto-regulação da psique: eles revelam aspectos da pessoa que não estão conscientes, eles descobrem motivações inconscientes que operam nas relações e que são presentes nos novos pontos de vista de situações conflituosas.

    Em relação à isto existem três possibilidades:

    Se a atitude consciente para a situação de vida estiver extremadamente unilateral, aí o sonho toma o lado oposto.

    Se a consciência tem uma posição bastante perto do "meio", o sonho é contentado com variações.

    Se a atitude consciente é "correta"(adequada), então o sonho coincide com e enfatiza esta tendência, mas sem perder sua autonomia peculiar. [ Ibid., par. 546.]

    Na visão Junguiana, um sonho é um drama interior.

    Todo o trabalho de sonho é essencialmente subjetivo, e o sonho é um teatro no qual o sonhador é a cena, o ator, o incitador, o produtor, o autor, o público e o crítico. ["Aspectos Gerais da Psicologia dos Sonhos," ibid., par. 509.]

    Este conceito dá origem à interpretação dos sonhos no nível subjetivo onde as imagens oníricas são vistas como representações simbólicas de elementos da própria personalidade do sonhador. Uma interpretação no nível objetivo se refere às imagens à pessoas e situações do mundo externo.

    Muitos sonhos têm uma estrutura dramática clássica. Há uma exposição (lugar, tempo e personagens), que mostra a situação inicial do sonhador. Em uma segunda fase há um desenvolvimento no enredo (ação se desenrola). A terceira fase traz a culminação ou clímax (um evento decisivo acontece). a fase final é o lysis, o resultado ou solução (se existir uma) da ação no sonho.

    Sombra: É uma parte inconsciente ou obscura da personalidade que contém características e fraquezas as quais a auto-estima não permitirá que se reconheça por si próprio. Geralmente é a primeira camada do inconsciente a ser encontrada em um processo de análise psicológica e normalmente é personificada nos sonhos por figuras sombrias e dúbias do mesmo sexo da pessoa que está sonhando. São aspectos inconscientes ou escondidos de si-mesmo, tanto bons quanto maus,que o ego ou reprimiu ou nunca reconheceu (Ver também repressão)

    A sombra é um problema moral que desafia o ego-personalidade por inteiro, por isso ninguém pode tornar-se consciente da sombra sem um esforço moral considerável. Tornar-se consciente dela envolve reconhecer os aspectos escuros da personalidade como presentes e reais. ["A Sombra," CW 9ii, par. 14.]

    Antes dos conteúdos inconscientes terem sido diferenciados, a sombra é, com efeito, o todo do inconsciente. Normalmente ela é personificada nos sonhos por pessoas do mesmo sexo do sonhador.

    A maior parte da sombra é composta por desejos reprimidos e impulsos incivilizados, motivos moralmente inferiores, fantasias e ressentimentos infantis, etc. -- todas aquelas coisas de si mesmo das quais não estamos orgulhosos. estas características pessoais não respondidas são frequentemente experienciadas nos outros através do mecanismo da projeção.

    Embora, com perspicácia e boa vontade, a sombra poder ser assimilada até certo ponto na personalidade consciente, a experiência nos mostra que há certas características que oferecem a maior das resistências obstinadas a um controle moral e provam ser quase que impossíveis de influenciar. Estas resistências são normalmente comprometidas com projeções que não são reconhecidas como tal e o reconhecimento delas é uma realização moral além do normal. Enquanto algumas características peculiares à sombra poderem ser reconhecidas sem muita dificuldade como as qualidades pessoais da pessoa, neste caso perspicácia e boa vontade são infrutíferos porque a causa da emoção aparece estar, além de toda a possibilidade de dúvida, na outra pessoa.[Ibid., par. 16.]

    A realização da sombra é inibida pela persona. Quanto mais nos identificamos com uma persona brilhante, mais a sombra é correspondentemente escura. Assim sombra e persona se complementam em uma relação compensatória, e o conflito entre eles é invariavelmente presente em uma erupção de neurose. A depressão característica nestas ocasiões indica a necessidade para perceber que a pessoa não é de todo a pessoa que finge ou deseja ser.

    Não há nenhuma técnica geralmente efetiva para assimilar a sombra. Está mais como diplomacia e sempre é uma questão individual. Primeiro a pessoa tem que aceitar e levar a existência da sombra seriamente. Segundo, a pessoa tem que se dar conta de suas qualidades e intenções. Isto acontece por atenção conscienciosa a humores, fantasias e impulsos. Terçeiro, um processo longo de negociação é inevitável.

    Realmente, é uma necessidade terapêutica o primeiro requisito de qualquer método psicológico completo, para a consciência confrontar sua sombra. No fim isto deve conduzir algum tipo de união, embora a união consista a princípio em um conflito aberto, e freqüentemente permanece assim por muito tempo. É uma luta que não pode ser abolida através de meios racionais. Quando é reprimida pelo ego ela continua dentro d o inconsciente e somente se expressa indiretamente e ainda mais perigosamente, desta forma não se tem nenhuma vantagem. A luta continua até os oponentes se cansarem. O que o resultado será, nunca pode ser visto com antecedência. A única coisa certa é que serão mudadas ambos os lados. [" Rex e Regina, " CW 14, paridade. 514.]

    Este processo de entrar em acordo com o Outro em nós vale a pena, porque deste modo nós entramos em contato com aspectos de nossa natureza que nós não permitiríamos ninguem mais nos mostrar e o qual nós mesmos nunca admitiríamos. [A Conjunção, " ibid., paridade. 706.]

    A sombra não é só o lado escuro da personalidade. Ela também consiste em instintos, habilidades e qualidades de moral positivas que foram enterradas há muito tempo ou que nunca foram conscientes.

    A sombra é algo meramente inferior, primitiva, inadaptada e desajeitada; não de todo ruím. Ela contém até qualidades infantis ou primitivas que revitalizariam de certo modo e embelezariam a existência humana, mas que as convenções proíbem![Psicologia e Religião," CW 11, par. 134.]

    Se acreditou-se que a sombra humana era a fonte de todo o mal, agora pode ser averiguado através de uma investigação mais íntima que o homem inconsciente, quer dizer, a sombra dele, só não consiste em tendências moralmente repreensíveis, mas também exibe várias qualidades boas, como instintos normais, reações apropriadas, perspicácias realísticas, impulsos criativos, etc.[Conclusão," CW 9ii, par. 423.]